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12/03/2015 15:47 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Eduardo Cunha quer mudar legislação para impedir recondução do procurador-geral da República, Rodrigo Janot

Montagem/Estadão Conteúdo

Insatisfeito com a presença de seu nome na lista dos políticos da Operação Lava Jato que serão investigados pelo STF, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), articula para evitar a recondução do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Cunha tem repetido que o procurador escolheu quem investigar.

“Caberia a nós até mudarmos a legislação para vedar a recondução para dar isenção para ele no exercício da sua função para não ter que agradar seja quem quer que seja, seja quem vai conduzi-lo ou seja quem vai aprová-lo na Casa competente”, disse em depoimento na CPI da Petrobras.

Para o peemedebista, o procurador deixa de ser independente a partir do momento que depende da "caneta do executivo" para sua recondução. Aos parlamentares, Cunha também disse que o procurador deveria declarar que não pretende ser reconduzido, após o fim do seu mandato de dois anos.

Unidos contra Janot

Cunha tem um aliado na batalha contra a recondução de Janot. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que está na lista do STF, também tem discutido com aliados uma maneira de barrar a recondução do procurador.

De acordo com a Folha de S. Paulo, Renan fala na criação de uma CPI para investigar o Ministério Público e em duas propostas de igual teor na Câmara e no Senado, com objetivo de coibir a renovação do mandato de Janot.

Tanto a indicação quanto a recondução do procurador depende de aprovação dos senadores. Até então, Janot, cujo mandato vence em setembro, tinha feito campanha para que fosse reconduzido ao cargo.

Em meio à críticas ao procurador, a Associação Nacional dos Procuradores da República publicou, no último sábado (7), uma nota de apoio a Janot, na "condução das investigações da Operação Lava Jato, bem como aos demais membros do Ministério Público Federal devotados à apuração do caso".