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11/03/2015 17:58 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Ministro da Casa Civil, Mercadante é alvo de críticas de aliados. Planalto nega rumor de mudança na pasta

Montagem/Estadão Conteúdo

O segundo mandato da presidenteDilma Rousseff entra no terceiro mês sem acertar uma no Congresso. Uma das principais reclamações dos aliados é com relação à articulação política e a artilharia foi apontada para o ministro da Casa Civil, Aloizio Mercadante.

Conhecido por ter se tornado o braço direito da presidente, o ministro também se tornou um calo no pé dos interlocutores da presidente. Aliados dizem que é impossível conversar com a presidente sem que ele interrompa ou dê palpites.

Petistas com trânsito no Planalto reclamam que o ministro tem falhado em suas missões e dizem que ele não tem tato político. Eles citam como exemplo a disputa pela presidência da Câmara, a qual Mercadante foi contra acordo com o PMDB e apostou na candidatura do deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), duramente derrotado.

A postura intransigente do ministro também teria alvo de reclamações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o jornal O Globo, Lula teria recomendado à presidente uma mudança no comando da pasta e a reformulação do Planalto.

O cenário negativo pode culminar com a demissão de Mercadante. De acordo com a Folha de S. Paulo, a presidente Dilma Rousseff teria dito a pelo menos dois interlocutores que está decidida a tirar o ministro do cargo. A ideia seria melhorar as relações com a base aliada, especialmente o PMDB.

Em nota, o Palácio do Planalto negou que Lula tenha sugerido a demissão do chefe da Casa Civil. "O ministro Aloizio Mercadante tem total confiança da presidenta e seguirá cumprindo suas funções à frente da Casa Civil", diz trecho da nota.

Até então, Mercadante era considerado, dentro do Planalto, um dos possíveis candidatos do partido para suceder a presidente Dilma nas próximas eleições. O nome dele, entretanto, encontra barreiras dentro do partido, que aposta na volta de Lula em 2018.

Histórico

Os problemas da articulação política do governo Dilma são herdados do mandato anterior. A dupla formada por Gleisi Hoffmann, na Casa Civil, e Ideli Salvatti, na Secretaria de Relações Institucionais, também deu muita dor de cabeça para a presidente.

Quando a articulação política passou para as mãos dos ministros Aloizio Mercadante, na Casa Civil, e Ricardo Berzoini, na SRI, parlamentares chegaram a comemorar. A boa fase, entretanto, não durou muito.

Mercadante passou a ser encarado como um empecilho para petistas e peemedebistas e o Berzoini foi deslocado para o Ministério das Comunicações.

O principal nome cotado para assumir a chefia da Casa Civil, de acordo com a Folha de S.Paulo, é o do ministro da Defesa, Jaques Wagner. Ele é um os integrantes do conselho político da presidente e já tem desempenhado missões na área.

O jornal, no entanto, ressalta que a presidente já fez promessas de reformulação de áreas do governo em outros momentos de crise, mas ficou postergando a decisão.