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10/03/2015 15:08 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco diz que recebeu US$ 100 milhões em propina desde 1997

Montagem/PSDB/Agência Câmara

O ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco reafirmou nesta terça-feira (10) que começou a receber propina há cerca de 18 anos. Em depoimento à CPI da Petrobras, ele disse novamente que começou a rceeber verba desviada de verba da estatal em 1997, no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Ele estima que o PT recebeu de US$ 150 a 200 milhões entre 2003 e 2013.

Barusco disse que fez os cálculos do PT de acordo com ele próprio afirma ter recebido. Segundo ele, o valor direcionado para o dobro do que ele tinha embolsado, cerca de US$ 100 milhões.

“Comecei a receber propina em 1997, 1998. Foi uma iniciativa minha, pessoal. De forma mais ampla, com outras pessoas da Petrobras, a partir de 2003, 2004”, disse Barusco após ser questionado pelo relator da CPI, Luiz Sérgio (PT-SP).

Barusco, porém, ressaltou que não daria detalhes do esquema. “Com relação a esse período eu não vou tecer maiores detalhes, existe uma investigação em curso que me dá o direito de não comentar esses detalhes”, disse.

Embora tenha dito que não sabe como ocorria a divisão da propina, ele assegurou que uma parte ia para o PT.

“Cabia a mim uma quantia que eu recebi e ao PT outra quantia. Eu estimo que cabia a ele [ao partido] ter recebido entre US$ 150 e 200 milhões. Não sei como o João Vaccari Neto (tesoureiro do PT) recebeu, se recebeu. Se foi doação oficial, se foi conta no exterior. Sei que existia uma quantia de propina para o PT”, explicou.

Barusco disse ainda que não tem condições de afirmar se o dinheiro foi efetivamente entregue ao partido por Vaccari Neto. De acordo com ele, o assunto era sempre combinado com o tesoureiro.

Segundo ele, a propina paga pelas empresas contratadas pela Petrobras variava entre 1% e 2% dos valores dos contratos. Do total desviado, metade era destinada para o PT, por meio de João Vaccari, e metade para a "casa” (diretores da Petrobras envolvidos no esquema).

Ele citou os nomes de Renato Duque, ex-diretor da Petrobras; Jorge Luiz Zelada, ex-diretor da Área Internacional da Petrobras, e Roberto Gonçalves, que o sucedeu na Petrobras.

Alívio

No depoimento à CPI, Barusco também afirmou que está aliviado em ajudar na devolução do dinheiro.

"Eu tive a fraqueza de começar. Primeiro, eu fiquei feliz (com as contas no exterior) e isso virou um pânico. Agora estou aliviado por estar ajudando na repatriação. Eu não recomendo para ninguém. É muito doloroso."

(Com Agência Brasil e Agência Câmara)