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10/03/2015 20:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

'Cadê os homens do Parlamento?': Deputados e senadores faltam à criação da Comissão de Combate à Violência contra a Mulher

Montagem/Agência Senado/Cristine Rochol/PMPA

Na instalação da Comissão Mista de Combate à Violência contra a Mulher uma ausência foi bastante notada. A sala cheia de deputadas e senadoras fez com que algumas integrantes do colegiado questionassem a falta de homens no grupo.

"Nós somos aqui bastantes. Não tem deputado nem senador? É como se isso não fosse assunto de homem. Tudo bem. Seria melhor se estivessem conosco, mas, se é assim, temos que ter mais de nós mesmas", disse a senadora Marta Suplicy (PT-SP).

A deputada Carmen Zanotto (PPS-SC) foi além:

"Não consigo ver essa comissão composta apenas por mulheres. Não consigo entender que essa comissão seja menos importante que a CPI da Petrobras, ela é importante tanto quanto. O tema não atinge só as mulheres, porque as mulheres são irmãs de homens, filhas de homens... Cadê os homens do nosso Parlamento? Será que teremos que trabalhar essa questão apenas com as mulheres?"

A deputada se dispôs a pedir aos líderes para que a representação masculina se faça presente. Além dela, a deputada Conceição Sampaio (PP-AM) também disse que não quer discutir o tema só com mulheres.

"É bom que os nossos companheiros sentem-se à mesa conosco, porque os homens são pais de mulheres, e eu tenho certeza de que nenhum pai de família pode entender como normal ver uma filha sua sendo morta, sendo estuprada, recebendo uma violência. Então, aquilo que nós não queremos para as nossas filhas, nós não podemos entender como normal ver acontecer na vida de tantas famílias neste País."

Em meio às críticas, a presidente da comissão, senadora Simone Tebet (PMDB-MS), ressaltou que há sete parlamentares do sexo masculino na comissão, seis deputados e um senador. Ainda assim, eles representam menos de 10% do grupo.

A presença de homens na luta feminista também foi abordada esta semana pela atriz britânica e embaixadora da boa vontade da ONU Mulheres, Emma Watson. Em um debate publicado na sua página no Facebook, ela destacou que é preciso que mais homens tomem uma posição pela igualdade de gênero.

Saúde da mulher

Apesar das críticas sobre a falta de compromisso dos homens com a luta das mulheres, a abetura dos trabalhos da comissão contou com a presença do ministro da Saúde, Arthur Chioro.

O ministro ressaltou que o tema da violência explode no cotidiano de atendimento dos serviços de saúde do País. "Muitas vezes, os serviços de saúde são aqueles que acolhem ou aqueles que acabam acobertando situações de violência contra a mulher. Então, é decisivo, para que nós possamos avançar na promoção da igualdade", disse.

A senadora Marta Suplicy (PT-SP) aproveitou para destacar que é preciso aprofundar temas que tocam o cotidiano das mulheres, como a violência no parto.

"Cerca de uma em cada quatro ouviu de algum profissional [de saúde] alguma coisa como: 'Não chore, porque no ano que vem você está aqui de novo.'; ou 'Na hora de fazer não chorou.'; 'Se gritar, eu paro e não vou te atender mais.'; 'Se ficar gritando, vai fazer mal para o neném, que vai nascer surdo'. Quer dizer, são absurdos que nos deixam todas muito indignadas."

No comando do grupo, Tebet prometeu atenção especial a questões como a mortalidade da mulher, fruto de aborto; a prostituição infantil; e o tráfico de pessoas.

A instalação da comissão faz parte das comemorações em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. O colegiado foi recomendação do relatório final da CPMI da Violência Contra Mulher, instaurada na legislatura anterior.

Além da colegiado permamente, a CPMI também sugeriu a aprovação da Lei do Feminicídio, aprovada pela Câmara na semana passada e sancionada pela presidente Dilma Rousseff na segunda-feira. A nova lei classifica como crime hediondo o homicídio de uma mulher em razão do gênero.