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09/03/2015 12:27 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

"Nesta operação não tenho nada", diz Paulo Maluf sobre a sua ausência na lista da Lava Jato

Dida Sampaio/Estadão Conteúdo

Deputado federal e ex-prefeito de São Paulo que integra a lista de procurados da Interpol, condenado por improbidade administrativa e acusado de lavagem de dinheiro, Paulo Maluf afirma que o fato de sua legenda, o Partido Progressista (PP), ser a que tem o maior número de políticos sob suspeita de envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras não mancha a imagem da sigla e muito menos a dele.

"Está provado e comprovado que nesta operação não tenho nada. Sou um homem correto", disse Maluf ao jornal O Estado de S. Paulo.

A lista de pessoas a serem investigadas que foi divulgada pelo Supremo Tribunal Federal na sexta-feira passada traz 30 integrantes do PP. Constam 18 dos 40 deputados da bancada pepista na Câmara (45%) e três dos cinco senadores do partido (60%), além de ex-parlamentares e um vice-governador.

"O partido não sai machucado porque tem um, dois, três ou cinco membros que eventualmente cometam um ilícito. Seria como você condenar todos os engenheiros porque a estação de metrô do Serra caiu", disse em alusão ao acidente na obra da linha amarela do metrô paulistano ocorrido em 2007, quando o hoje senador José Serra (PSDB-SP) era governador de São Paulo.

"A imagem do partido continua ótima porque precisa provar que os 30 são culpados. O partido é uma pessoa jurídica. Você não pode generalizar. O partido como partido continua o melhor partido do mundo. Tanto que estou nele há 48 anos", disse Maluf.

Comando

Na lista de investigados estão o presidente do partido, o senador Ciro Nogueira (PI), e o líder da legenda na Câmara, Eduardo da Fonte (PE). Maluf defendeu o afastamento de Nogueira da presidência. "Quem fez tem que pagar. Acho que quem perdeu as condições morais de ser presidente do partido é o Ciro Nogueira. Ele tem que se licenciar", disse.

Questionado se recomendaria o mesmo para os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também alvos de investigação, Maluf foi mais ameno. "Enquanto investigação, não tem necessidade. Mas, se for aberto processo e provada a culpa, aí teriam que se licenciar", afirmou.

Diante da aparente contradição, Maluf se explicou. "No nosso caso, como tem 30 deputados, tem o presidente do partido e tem senadores, acho que o presidente do partido, no mínimo, perdeu as condições de, em abril, pleitear sua recondução como presidente", afirmou. Maluf nega a prática de qualquer crime.

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