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09/03/2015 09:52 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Dois são acusados pela morte do opositor russo Boris Nemtsov; oposição afirma que é preciso achar quem 'orquestrou' crime

Reuters

Um suspeito checheno de assassinar o líder da oposição russa Boris Nemtsové um "profundo crente" que ficou chocado com as charges do Charlie Hebdo do profeta Maomé, disse o líder checheno Ramzan Kadyrov no domingo.

Investigadores russos disseram na semana passada que estavam analisando a possibilidade de que militantes islâmicos tinham assassinado a tiros Nemtsov, um liberal, por sua defesa das charges no jornal semanal satírico francês Charlie Hebdo.

"Todos que conhecem Zaur (Dadayev) confirmam que ele é um crente profundo e também que ele, como todos os muçulmanos, ficou chocado com as atividades de Charlie e comentários de apoio aos desenhos", escreveu Kadyrov em sua conta no Instagram.

Kadyrov também confirmou que Dadayev, um dos cinco suspeitos detidos por suposto envolvimento no assassinato de Nemtsov em 27 de fevereiro, foi um membro da polícia chechena e chegou a ser condecorado por bravura.

De acordo com a juíza responsável pelo caso,Natalia Mushnikova, Dadayev tinha admitido seu envolvimento no assassinato quando questionado pelos investigadores. Ele será mantido sob custódia até 28 de abril.

"O envolvimento da Dadayev neste crime é confirmado por, além de sua própria confissão, a totalidade das evidências reunidas como parte do processo criminal", disse ela.

Um total de cinco homens adentraram um tribunal de Moscou no domingo (8) forçados por agentes de segurança que vestiam máscaras, afirmou um repórter da Reuters no tribunal.

Além de Dadayev, os investigadores detiveram dois irmãos, Anzor e Shagid Gubashev, e dois outros, Ramzan Bakhayev e Tamerlan Eskerkhanov.

Dadayev e Gubashev, foram acusados de envolvimento no assassinato, enquanto os outros três estão sendo tratados como suspeitos. Notícias publicadas na mídia russa afirmam que os homens são da Chechênia, república no sul do país de maioria muçulmana que tem visto revoltas separatistas violentas nas últimas duas décadas.

Nemtsov foi morto a tiros na noite de 27 fevereiro nas imediações das muralhas do Kremlin, no assassinato de mais alto perfil de uma figura da oposição nos 15 anos do presidente Vladimir Putin no poder.

Alguns associados de Nemtsov, um ex-vice-primeiro ministro que se tornou um crítico de Putin, dizem que o Kremlin tem a ganhar com a sua morte e insistem que só ficarão satisfeitos se os promotores rastrearem quem orquestrou o assassinato, em vez de apenas quem puxou o gatilho.

Oficiais da Rússia têm negado envolvimento na morte de Nemtsov e Putin condenou o assassinato.