ENTRETENIMENTO
09/03/2015 16:31 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

3 músicas para matar a saudade e acreditar que Inezita Barrozo é a eterna dama da moda de viola

A viola caipira emudeceu.

Aos 90 anos, morreu na noite deste domingo (8) a cantora e apresentadora de TV Inezita Barroso, em decorrência de uma insuficiência respiratória aguda. Ela estava internada desde o dia 19 de fevereiro no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo.

Inezita não nasceu no 'meio do mato', mas era considerada a dama da moda de viola caipira no Brasil. Ela foi a primeira mulher a interpretar uma moda de viola e há quase três décadas cuidou muito bem de canções que ficaram conhecidas por várias gerações - e se tornou uma das maiores estudiosas da música brasileira e defensora dela. Isso, sem falar no programa icônico Viola, Minha Viola, da TV Cultura, comandado por ela há mais de 20 anos.

Para conhecer melhor e lembrar Inezita, eis três músicas que ficaram famosas na voz dela e que você precisa conhecer (mesmo você não sendo um caipira nato - e, sim, brasileiro):

Marvada Pinga, de Inezita Barroso

"Com a marvada pinga

É que eu me atrapaio

Eu entro na venda e já dou meu taio

Pego no copo e dali nun saio"

Ronda, de Paulo Vanzolini

"De noite eu rondo a cidade

A te procurar sem encontrar.

No meio de olhares espio,

Em todos os bares

Você não está..."

Lampião de Gaz, Inezita Barroso

"Lampião de gás, lampião de gás

Quanta saudade você me traz

Da sua luzinha verde queimada

Que iluminava minha janela,

Do almofadinha lá dá calçada,

Palheta branca, calça aufofada"

Quem foi Inezita?

Nascida na Barra Funda, antigo bairro fabril de São Paulo, ela entretanto tinha alma de interior, tinha um destino de campo e mato. Também atriz e formada em biblioteconomia, cresceu artisticamente com a profissionalização do rádio e da TV no Brasil. E sonhava com o dia em que orquestras de moda de viola invadissem todas as cidades do País. Como cantora, experimentou o sucesso, mas sempre o preteriu à condição de divulgadora cultural, levando gerações a conhecerem as obras de Cascatinha e Inhana, As Irmãs Galvão, Pedro Bento e Zé da Estrada, Milionário e José Rico, Tonico e Tinoco, entre outros.

Mas não era onívora, certas coisas ela não engolia. "Essa música moderninha de hoje, que chamam de sertaneja, não tem valor. É sempre a mesma coisa, com a mulher que abandonou o marido. Com o agravante que só a tocam no mesmo ritmo, parece um realejo", disse ao repórter Lucas Nobile do Estadão.

Em sua biografia, escrita por Carlos Eduardo Oliveira e publicada no ano passado, Inezita contou como se decidiu pela vida artística após assistir a um show de Carmem Miranda e revela que teve de enfrentar a resistência dos pais conservadores. Vinha da classe média alta, e sua disposição de levar a vida com cabelos curtos, violão no braço e em rodas de viola com trabalhadores rurais chocou a família. Nas fazendas de familiares, colhia os ritmos (catira, cateretê, chamamé) e as canções que gravava e celebrizava (ou simplesmente introjetava na mente para uso futuro), como Moda de Pinga.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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