MULHERES
08/03/2015 18:41 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

21 mulheres que estão fazendo do Brasil um país melhor e você precisa conhecer

Montagem

Se você, em pleno século XXI, ainda acredita que lugar de mulher é "no tanque", "na cozinha", "lavando louça" e que vê-las atuando em áreas como política, tecnologia, militância e fazendo a diferença em áreas de transformação do país é um absurdo e algo exclusivo aos homens, você nunca esteve tão equivocado.

As mulheres conquistaram o mercado de trabalho, mas ainda assim, só ganham salários próximos aos dos homens há cerca de 10 anos; a Lei Maria da Penha é eficaz, não fez com que a violência aumentasse, mas a luta é contínua - e diária contra a discriminação e a favor de direitos e mais respeito.

Em constatação da luta que é ser mulher para o Dia Internacional da Mulher, neste domingo (8), selecionamos 21 mulheres que estão fazendo a diferença e colaboram para ações extremamente positivas quando o assunto é transformar o Brasil para melhor - em todas as áreas que você imaginar:

Mara Gabrilli

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quinta-feira (5) a Lei Brasileira de Inclusão para pessoas com deficiência física. E a relatora da proposta é a deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP), tetraplégica há 20 anos e militante dos direitos dos deficientes.

O projeto foi inspirado em outros países, onde a responsabilidade sobre a conservação de calçadas é do poder público e não do munícipio, como é no Brasil. "É uma das grandes conquistas que a gente vai ter para toda população, que é transformar as calçadas do Brasil em calçadas circuláveis", comentou a parlamentar.

Maria do Rosário

O ato de matar uma mulher pelo simples fato de ela ser do sexo feminino está prestes a se tornar um crime hediondo, como é o latrocínio, o genocídio e o estupro. E a deputada e ex-ministra dos Direitos Humanos Maria do Rosário tem papel importante nesta luta.

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta terça-feira (3) o projeto de lei 8305/14 do Senado Federal, que altera o Código Penal e inclui o feminicídio na lista de homicídios qualificados. A pena prevista para homicídio qualificado é reclusão de 12 a 30 anos. O texto segue para sanção presidencial.

O projeto foi sugerido no relatório final da da CPMI da Violência contra a Mulher, finalizada em 2013. No relatório, os parlamentares ressaltaram o assassinato de 43,7 mil mulheres no País entre 2000 e 2010, sendo 41% delas mortas em suas próprias casas, muitas por companheiros ou ex-companheiros.

Fabiana Franceschi

Moradora de Jaú, município de 130 mil habitantes a 300 quilômetros da capital paulista, ela viu aflorar sua vocação para o empreendedorismo quando estava se formando em engenharia naval. Mas, atualmente, ela é proprietária da Nacional Ossos, a única fábrica da América Latina que produz ossos sintéticos para estudos.

Os ossos artificiais são usados exclusivamente para capacitação médica em diversas universidades, cursos, workshops e hands on, contribuindo na formação de profissionais mais qualificados e auxiliando no desenvolvimento da ciência de forma humanizada, sempre respeitando a bioética.

Alessandra França

A admiração pelo economista bengalês Muhammad Yunus (ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2006) inspirou a jovem Alessandra França, 27, a criar o Banco Pérola, ONG (organização não governamental) de microcrédito para empreendedores de baixa renda no interior do Estado de São Paulo.

Para abrir a ONG, França inscreveu o projeto em um programa da Artemísia, aceleradora de negócios sociais. A empresária concorreu com 200 projetos e ficou entre os cinco finalistas, que receberam um prêmio de R$ 40 mil, além de uma consultoria de dois anos para desenvolver o negócio. O valor do prêmio foi todo aplicado na ONG. Saiba mais aqui

Camila Achutti

Imagina ser a única mulher em uma classe com apenas estudantes homens, tendo aula com professores homens e convivendo, na maior parte do tempo, apenas com eles. Esse foi o resumo da vida de Camila Achutti, enquanto estudava Engenharia de Software na USP, frequentando as salas de aula do IME (Instituto de Matemática e Estatística).

Hoje ela é Diretora Nacional do Technovation Challenge Brasil, uma competição que busca empoderar meninas por meio da tecnologia. Em 2014, foi responsável por uma série de workshops pra ensinar garotas a programar.

Deb Xavier

Idealizadora do site Jogo de Damas ela é embaixadora brasileira do Dia Global do Empreendedorismo Feminino, uma iniciativa conjunta da Fundação das Nações Unidas (ONU) e da SGE. O projeto se transformou em uma empresa que promove encontros entre mulheres no qual elas discutem os dilemas da vida profissional. Assim, Deb tem como intenção incentivar o empreendedorismo entre as mulheres e ajudá-las a perseguir suas carreiras profissionais. Para isso, garimpa exemplos de sucesso e promove encontros pelo país.

Zica Assis

A ex-faxineira Zica Assis, que inspirou a criação da personagem de Heloisa Périssé na novela "Avenida Brasil", a cabeleireira Monalisa, está entre as dez mulheres de negócios mais poderosas do Brasil, segundo a revista americana "Forbes"; na mesma lista está a modelo Gisele Bündchen. E tudo isso por ser fundadora da maior rede do Brasil especializada em cabelos crespos e ondulados, o Instituto Beleza Natural. São 13 salões, 1.700 funcionários, um centro de desenvolvimento técnico, uma fábrica de produtos próprios capaz de produzir cerca de 300 toneladas por mês de produtos e um crescimento de 30% ao ano.

Jules de Faria

Ninguém deveria ter medo de caminhar pelas ruas simplesmente por ser mulher, certo? Mas infelizmente isso é algo que acontece todos os dias. Juliana de Faria é jornalista e criadora da OLGA (um Think Thank destinado a discutir direitos das mulheres) e idealizadora da campanha "Chega de Fiu Fiu", que busca o fim do assédio a mulheres em locais públicos no Brasil. Em sua descrição na plataforma, ela diz que, "com o tempo, descobriu que gostava mais de falar sobre a mulher que veste a roupa do que sobre a roupa que veste a mulher".

No ano passado, a campanha deu dois saltos importantes: 1) lançou, em parceria com a Defensoria Pública de São Paulo, uma cartilha de orientação para tornar visível esse assédio e desnaturalizar uma situação que, na prática, é mais uma violência de gênero do que uma simples "brincadeira"; 2) Lançou o projeto do documentário "Chega de Fiu Fiu", que pretende ampliar ainda mais o debate sobre este tipo de assédio, e quer gerar mobilização a favor do direito das mulheres de circular pelo espaço público sem medo.

Sônia Guajajara

É porta-voz do movimento indígena brasileiro, coordenadora Executiva da Articulação dos Povos Indígenas (APIB), e é reconhecida internacionalmente como uma forte liderança dos direitos humanos no Brasil. No ano passado, de eleição, foi ponto chave na movimentação do debate político em torno da causa indígena, se posicionando principalmente no embate em torno da PEC 215, sobre a demarcação de terras indígenas no País. É ou não é uma mulher poderosa?

Amanda Kamanchek Lemos

Jornalista, realizou em 2014 o projeto “Cartografia dos Direitos Humanos”, em que mapeou locais importantes na cidade de São Paulo para o a luta dos Direitos Humanos. Além disso, Amanda é responsável pela campanha “O Valente Não é Violento” da ONU Mulheres no Brasil e é uma das idealizadoras do projeto do documentário "Chega de Fiu Fiu", do coletivo Think Olga, que quer mapear o assédio pelo Brasil.

Carolina Ferrés

Carolina lançou o projeto Viva Rio Pinheiros, que pretende ocupar as margens do Rio Pinheiros, em São Paulo, e preenchê-las com arte. A proposta é resgatá-lo e transformá-lo, de novo, em um lugar pra pessoas - e em um local vivo e ativo dentro da cidade, e não apenas um depositário de dejetos como é atualmente.

Maria Clara Araújo

A estudante pernambucana Maria Clara Araújo, de 18 anos, foi uma das mais de 6 mil aprovadas na primeira chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) para vagas na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Mas a vitória não foi uma qualquer: ela pôde usar o seu nome social para participar do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Maria Clara é uma transexual. E sente muito orgulho disso, tanto que resolveu postar na sua página no Facebook um manifesto por igualdade, contra preconceitos e pré-julgamentos ainda reinantes do ensino, seja ele fundamental, médio ou superior, no Brasil. A aprovação para o curso de Pedagogia da UFPE é simbólica e de muita emoção para a família - e é um passo, mesmo que pequeno, para transformar questões de gênero no Brasil. Leia mais aqui

Sharon Caleffi

Que tal votar em uma mulher? Sharon é criadora da página Vote numa feminista para dar maior visibilidade a candidatas feministas nas últimas eleições de 2014. A proposta foi demonstrar como a participação feminista no poder legislativo é importante e ajudar a ampliar a voz das mulheres na política.

Fernanda Honorato

Honorato entrou para o Rank Brasil por ser a primeira repórter com síndrome de down do país. Aos 34 anos, ela ocupa o cargo no Programa Especial da TV Brasil desde 2006.

Ana Paula Meirelles Lewin e Ana Rita Prata

São coordenadoras do NUDEM – Nucleo de Promoção e Defesa dos Direitos da Mulher. Ambas são defensoras públicas que, com o seu trabalho, estão colocando em pauta no Poder Judiciário e para a população, temas delicados e antes invisíveis da violência contra a mulher, como a violência obstétrica e o assédio sexual.

Ana Paula Meirelles Lewin

Deisy Ventura

Professora de Direito Internacional da Universidade de São Paulo, debruçou-se sobre o tema da saúde global e suas relações com o Direito. Em 2014, foi uma das grandes vozes nacionais a abordar as questões jurídicas relativas ao ebola, denunciando a rede Globo por violar lei ao publicar dados de paciente suspeito de contágio.

Rosana Beni

Jornalista e mãe de Anita e Raphael por processo de inseminação artificial aos 50 anos, está lutando na Câmara dos Deputados junto ao deputado Arnaldo Faria de Sá para que seja aprovada a resolução do Conselho Federal de Medicina que proíbe fertilização após os 45 anos. Também concedeu inúmeras entrevistas esclarecedoras sobre o tema.

Tatiana Capitanio

É criadora do Data4Good, projeto que busca incentivar o uso de dados como instrumento de mudança e solução de problemas sociais. Em 2014, ano inicial oficial do projeto, já impactou mais de duas milhões de pessoas com uma ferramenta bem “simples”: informação.

Juliana Belloque

Juliana Belloque é defensora pública do Estado de São Paulo, membro do Comitê Latino-Americano e do Caribe de Defesa dos Direitos da Mulher. Ela participou das discussões sobre a edição da Lei Maria da Penha e da elaboração de cartilhas educativas sobre a lei, voltadas para as mulheres e para as entidades que integram a rede de proteção às mulheres; atualmente, ela é fonte importante quando o assunto é violência contra as mulheres e participa ativamente com programas de capacitação e disseminação da Lei Maria da Penha pelo País.

Jandira Feghali

Jandira Feghali é médica e está em seu 6º mandato na Câmara dos Deputados pelo Estado do Rio de Janeiro. Em 2006, escreveu o texto da Lei Maria da Penha, considerada pela ONU como uma das melhores legislações do mundo. Atualmente ela é líder da bancada do PCdoB.

Ana Cristina Duarte

Em 2002, junto a outras doulas, fundou o site Doulas do Brasil, que ajuda mulheres e profissionais de todo o país a conhecer esse tipo de trabalho. Desde 1999 vem oferecendo a mulheres e casais grávidos informações, indicações de médicos, cursos, acompanhamento, enfim, tudo o que puder ser útil para uma mudança pequena porém gradual na forma como os bebês nascem neste país. Ana Cristina é formada em obstetrícia em 2008 pela USP/EACH, faz atendimento de pré-natal e parto domiciliar.

Lígia Moreiras Sena

Ligia Moreiras Sena é bióloga, professora e dona do blog Cientista que Virou Mãe. Mãe da Clara, de 5 anos, ela escreve no seu blog sobre maternidade ativa, parto, infância e medicalização. "Como mãe, quero contribuir para a criação de seres humanos íntegros, física e emocionalmente, fruto do respeito, do acolhimento, do amor, da não violência e da real presença", escreve na descrição do site. Ela também é autora do livro "Educar sem violência - criando filhos sem palmadas". E também é blogueira do Brasil Post.

Manuela D’ávila

Manuela d'Ávila é jornalista e deputada estadual pelo Partido Comunista do Brasil. Foi líder de seu partido na Câmara dos Deputados e eleita duas vezes como a deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul. Manuela e é uma voz da oposição ao governo, que insiste no direitos das mulheres, em combater os preconceitos bancada evangélica, o machismo e ainda, as causas da baixa participação feminina no Congresso Nacional.