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05/03/2015 11:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Com rejeição recorde, Beto Richa tenta na Justiça pôr fim à greve dos professores no Paraná

Montagem/Estadão Conteúdo

Quase quatro em cada cinco paranaenses desaprovam a gestão deste ano do governador Beto Richa (PSDB). É o que aponta o levantamento da Paraná Pesquisas, publicado no jornal Gazeta do Povo. A desaprovação de 76,1% é a maior do governo desde agosto de 2013, quando atingiu 30,4%. Enquanto isso, o tucano aguarda que os professores cumpram a ordem da Justiça e voltem ao trabalho.

No fim da tarde desta quarta-feira (4), o desembargador Luiz Mateus de Lima determinou o retorno imediato das aulas nas escolas estaduais do Paraná, com a ameaça de multa diária de R$ 20 mil caso a determinação não seja cumprida. Horas antes, 20 mil professores decidiram, em assembleia, continuar a paralisação da categoria, que já dura 24 dias e atinge 950 mil alunos da rede estadual.

O desembargador também proíbe os grevistas de “vedarem e limitarem os acessos às dependências de quaisquer órgãos públicos estaduais ou de impedirem outros servidores de trabalhar regularmente” e “autoriza-se o uso de força policial, caso necessário”.

O Sindicato dos Trabalhadores da Educação do Paraná (APP-Sindicato) lamentou a decisão do governo estadual em “tentar por fim a uma manifestação legítima da categoria que conta com o apoio incondicional da população”. O sindicato disse ainda não ter sido notificado e, para contrapor Richa, apresentou as várias pendências que ainda não foram cumpridas pelo governo para terminar com a paralisação.

Na manhã de quarta-feira, o APP-Sindicato havia comandado a assembleia que deliberou pela continuidade da greve. Logo em seguida, os professores iniciaram uma caminhada em direção ao Palácio Iguaçu, sede do governo do Estado. Segundo o presidente do sindicato, Hermes Leão, há a possibilidade de uma nova reunião com o governo estadual nos próximos dias. “Queremos antes disso (assembleia) uma mesa de conciliação para avançarmos e em uma próxima assembleia decidirmos pelo movimento”, afirmou.

Por meio de nota, o governo do Estado do Paraná lamentou a continuidade do movimento e disse que entrará novamente com pedido de ilegalidade e abusividade da greve. A medida foi usada anteriormente, mas o pedido foi negado pela Justiça. Também alegou que já cumpriu alguns itens da pauta, como o pagamento de hora-atividades, melhorias do transporte e na merenda, além de reajuste salarial.

‘Fogo amigo’ vem de secretário de Richa

Três medidas de austeridade que Beto Richa quer ver aprovadas na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) poderiam dar ao Estado pouco mais de R$ 4 bilhões. Mas ele terá de lidar até mesmo com ‘fogo amigo’. A última veio do atual secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa. Durante prestação de contas na Casa, ele disse que o tucano errou ao reestruturar o plano de custeio da Paranaprevidência a partir de 2013 e dar ao órgão a estrutura que ele tem hoje.

“É importante admitir erros. Essa mudança gerou um comprometimento insuportável das nossas receitas para o pagamento de inativos e pensionistas. Se a forma atual for mantida, não haverá recursos para mais nada. É preciso reverter o que foi feito em 2012 para solucionar essa questão previdenciária, de maneira que sobrem mais recursos para que possamos fazer mais pelas pessoas do que ficar apenas pagando os funcionários públicos”, comentou.

O principal problema na proposta de unificar os dois principais fundos da Paranaprevidência era fazer ‘evaporar’ uma ‘poupança futura’ de R$ 8 bilhões para pagar a folha atual dos inativos. Cairia por terra ainda o planejamento de autossuficiência do setor a partir de 2033. O pagamento de aposentados no Estado rende um rombo de R$ 250 milhões por mês.

Outro revés para o governo foi o fim do regime de comissão geral, o “tratoraço” – quando todas as votações de um projeto ocorrem às pressas, num único dia. Os deputados votaram, por unanimidade, pela descontinuidade do regime, um dos impulsores para as manifestações do mês passado em Curitiba. Assim, todos os projetos voltam a ter de passar por todas as comissões da Alep antes de chegar ao plenário para votação.

(Com Estadão Conteúdo)