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03/03/2015 17:19 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Sob pressão, PT fica com o comando da Comissão de Direitos Humanos

Ed Ferreira/Estadão Conteúdo

Ainda sob a sombra da gestão do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) na Comissão de Direitos Humanos em 2013, o líder do governo José Guimarães (PT-CE) anunciou nesta terça-feira que o PT ficou com o comando da comissão este ano. "Não há o que temer", disse o petista. O nome de quem irá presidir o colegiado, de acordo com o deputado, será anunciado amanhã.

O partido, que lidera o bloco, ainda negocia se o próprio PT ou o PCdoB indicará o nome de quem comandará a comissão.

Um manifesto assinado por mais de 100 ONGs e ativistas pela escolha de um parlamentar ligado à defesa dos direitos humanos foi entregue na Câmara na manha desta terça-feira. Na semana passada, o líder do PT, Sibá Machado (MT), já previa uma forte manifestação para evitar que a comissão ficasse nas mãos de conservadores. Segundo ele, a gestão do Feliciano não foi boa para ninguém. "Tem muita gente preocupada, mas a Casa não vai tomar uma decisão como aquela de novo. Ninguém quer manchar a imagem da Câmara", disse.

O deputado Jean Wyllys (PSol-RJ) comemorou o resultado da reunião que definiu a divisão das comissões na Casa. "Foi por pouco, mas o espaço legislativo de defesa dos direitos humanos está garantido e livre das manobras políticas, das negociatas e do oportunismo da bancada fundamentalista", disse.


A comissão, entretanto, ainda corre o risco de parar nas mãos de algum fundamentalista. Na semana passada, na instalação da Frente Parlamentar da Segurança Pública, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) anunciou que está colhendo votos para uma candidatura avulsa. No ano passado, Bolsonaro foi derrotado por apenas dois votos de diferença.

A presidência de Feliciano ficou marcada pelo embate entre conservadores e progressistas. A principal polêmica foi o projeto da cura gay, pautado pelo pastor. A proposta autorizava tratamento psicológico da homossexualidade.

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