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03/03/2015 09:16 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Doleiro Alberto Yousseff diz que obra na refinaria Abreu e Lima (PE) gerou propina para PP, PSDB e PSB, diz jornal

Montagem/iStock e Estadão Conteúdo

O doleiro Alberto Youssef, ao que tudo indica, não tinha preconceito na hora de trabalhar com partidos políticos, segundo as investigações da Operação Lava Jato. Em depoimentos de delação premiada prestados à Polícia Federal, que apura o esquema de corrupção na Petrobras, ele afirmou que integrantes de PP, PSDB e PSB foram beneficiados por obras em uma refinaria de Pernambuco.

De acordo com informações publicadas pelo jornal Folha de S. Paulo nesta terça-feira (3), o doleiro indicou o senador Ciro Nogueira (PP-PI), o deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE), o ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) – morto em um acidente aéreo em agosto do ano passado –, e o ex-presidente do PSDB Sérgio Guerra – falecido em março de 2014 – como beneficiários de propinas de empreiteiras.

O dinheiro para obras na refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, teria vindo da Queiroz Galvão (o montante total não está detalhado, mas teria ido para os parlamentares do PP e para Guerra) e de Odebrecht e OAS (R$ 30 milhões direcionados a Campos, ao ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, e ao PP). Além de Youssef, Fernando Soares, o Baiano, também teria sido operador dos pagamentos, de acordo com o doleiro.

Conforme informou a Folha, que teve acesso à delação de Youssef, Eduardo Campos recebeu R$ 10 milhões em propina entre 2010 e 2011, quando era governador de Pernambuco.

As novas informações sobre a Lava Jato surgem no dia em que é aguardada a divulgação dos nomes de políticos envolvidos nos inquéritos do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, com base nas apurações da PF na operação. Os pedidos para investigar parlamentares devem chegar ao Supremo Tribunal Federal (STF) nessa terça-feira e seguir diretamente para o gabinete do ministro Teori Zavascki, relator na Corte dos casos envolvendo o esquema de corrupção na Petrobras.

Apesar da chegada das peças ao Supremo, os nomes dos investigados e os pedidos da procuradoria podem demorar alguns dias para se tornarem públicos. Isso porque Zavascki tem de decidir sobre a derrubada do sigilo em cada um dos casos. A inclinação do ministro é para acabar com o segredo, nos termos do que for solicitado pelo procurador-geral. Só após analisar todos os pedidos de investigação e decidir sobre o sigilo em cada uma das petições, o ministro irá liberar as peças.

Há uma expectativa de que mais de 30 parlamentares constem nos inquéritos do procurador-geral. Para quem espera punições direcionadas para esse ou aquele partido, Janot deixou um recado na noite desta segunda-feira (2). "Vamos trabalhar com tranquilidade, com equilíbrio. Quem tiver de pagar vai pagar", afirmou, em declarações reproduzidas pelo G1.