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02/03/2015 20:24 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Sob intervenção de Cunha, bancada feminina da Câmara racha às vésperas de escolher cargos da Secretaria da Mulher

Montagem/Estadão Conteúdo

Pela primeira vez na história da bancada feminina da Câmara dos Deputados, o presidente da Casa interferiu na maneira como deve ser feita a escolha das integrantes da Secretaria da Mulher. A decisão de Eduardo Cunha (PMDB-RJ)rachou a bancada, que elege no dia 11 a coordenadora do grupo.

Geralmente, as deputadas tomam as decisões com base em um consenso dentro da própria bancada. Independentemente da organização dos partidos na Casa, elas também costumavam escolher de acordo com a proporção dentro do grupo de mulheres.

Desta vez, Cunha decidiu que Mesa da Secretaria da Mulher, assim como a coordenadoria da bancada e o cargo de Procuradora da Mulher, será dividida de acordo com os blocos montados na eleição da presidência da Casa. Segundo a deputada Érika Kokay (PT-DF), isso faz que blocos inflados por partidos que mal elegeram mulheres tenham poder de voto maior que o dos partidos com mais deputadas.

A decisão de Cunha só poderia ser derrubada se as deputadas partissem para o enfrentamento. Essa atitude está praticamente descartada entre as parlamentares.

Algumas integrantes do grupo acreditam que o presidente da Casa quis controlar a bancada para evitar que elas expressem, em nome do grupo, opiniões fortes com relação a temas polêmicos, como a legalização do aborto.

O grupo já se reuniu três vezes para tentar definir os critérios da eleição, mas não há consenso. Não sabem nem se vai ter candidatura avulsa.

A atual coordenadora da bancada, Jô Moraes (PCdoB-MG), lamenta a decisão de Cunha.

Apesar das críticas, há deputadas que defendem a intervenção do presidente da Casa. Ela beneficia principalmente as que integram o bloco encabeçado peloPMDB, o maior da Casa. Com a divisão de Cunha, as deputadas do partido que compõem o bloco ficam com as duas primeiras escolhas. Passam a ter direito a indicar a secretaria e a coordenação da bancada.

A deputada Tia Eron (PRB-BA) argumenta que, pela primeira vez, haverá um critério objetivo para as escolhas.

"O consenso era simplesmente indicar um nome sem dar fundamento. As novatas não teriam oportunidade de concorrer. Me pareceu que havia uma cultura de recomendação dos nomes sem consideração. Ninguém é mais deputada que ninguém. Temos os mesmos direitos. A angústia é que não tinha critério."

Para ela, a Casa precisa criar critérios claros. "Não pode continuar omissa. As mulheres conquistaram mais espaço, mas não teve uma estruturação justa na secretaria", emendou.

Desde 2009, a coordenadora da bancada feminina tem assento no Colégio de Líderes, onde são discutidos os ritos das propostas e as prioridades para irem a votação no plenário da Casa.

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