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27/02/2015 11:22 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:12 -02

Conheça Mazon Almellehan, ativista responsável por levar milhares de meninas à escola em campo de refugiados

O dia em que o pai de Mezon Almellehan contou à menina de 16 anos que a família iria deixar a Síria, ela achou que fosse o fim da sua vida. No entanto, ao chegar na Jordânia, no campo de refugiados Zaatari, ela se deparou com vários problemas que acometem as meninas da sua idade. E resolveu combatê-los.

Chamada por alguns veículos de imprensa de “Malala síria”, a jovem tem papel fundamental em estimular garotas que vivem no campo de refugiados a irem para a escola.

Todos os dias ela vai de tenda em tenda conversando com as meninas da sua idade e reforçando a importância de que todas elas frequentem a escola, mesmo em condições precárias: as instituições de ensino no campo não têm eletricidade nem contam com equipamentos de informática.

“Nós temos o direito de ir à escola e eu sinto que tenho uma responsabilidade com a comunidade”, contou ela à organização de direitos humanos. A jovem , que conheceu Malala no ano passado, durante uma visita da ativista paquistanesa ao campo de refugiados, foi a Oslo acompanhar a entrega do Prêmio Nobel da Paz, a convite da jovem.

Malala (ao centro), com sua amiga de colégio Shazia Ramzan (à esq.) e a ativista síria Mezon Almellehan (à dir.)

Outra causa com a qual Mezon é comprometida é o combate ao casamento infantil, hábito ainda comum em alguns países. “Meninas da nossa idade devem vestir um uniforme escolar, não um vestido de noiva”. Uma de suas melhores amigas se casou aos 15 anos, e deixou a escola.

“Eu passei dias tentando convencê-la a continuar os estudos”, conta a jovem, que quer ser jornalista e escrever sobre noivas crianças.

De acordo com dados da ONU, o número de crianças sírias matriculadas no sistema formal de educação da Jordânia chegou a 20.300 em 2014. O dado é 9% maior do que o registrado em 2013. No entanto, muitos refugiados ainda não conseguem acesso ás escolas