Como as palavras de um adolescente de 13 anos ajudaram a levantar mais de US$ 1,4 milhão para sua escola na periferia

Na semana passada, Nydia Lopez, diretora da Mott Hall Bridges Academy, subiu no palco diante de seus 195 alunos e fez um anúncio: o evento para financiar uma viagem dos estudantes do ensino médio da escola à Universidade Harvard não só havia alcançado a meta de 100 000 dólares, mas milagrosamente tinha chegado a 700.000 dólares.

O número final foi muito maior: 1.419.284 dólares.

“Os estudiosos da MHBA estão inspirando o mundo inteiro”, disse Lopez numa recente assembleia de alunos. “Pessoas da Nova Zelândia, da Inglaterra e da África do Sul me escreveram mostrando como se importam com vocês.”

“Before all of this happened for our school, I felt broken. And I think the world felt a little broken too, because a lot of bad things have been happening lately, especially between black people and white people. But all of you gave people a reason to feel a little less broken. And the craziest thing about all of this is that it’s happening in Brownsville. Before this, people watched the news and read the newspapers, and some people even thought that all we do here is fight and act crazy. But now there are so many people out there that care about you and want to know more about you. People are even emailing me and asking if they can meet you and mentor you. Not just people from Brownsville, not just people from Brooklyn, not just people in New York, but people all over the world. So I need all of you to work a little harder. Whenever you don’t feel like doing your homework, I need you to remember that you’re helping tell the story of Brownsville to people all over the world." ------------------------------------------------- We are currently profiling Mott Hall Bridges Academy, a middle school in the under-served neighborhood of Brownsville, Brooklyn. As we learn about the school, its scholars, and its educators, we are also raising funds to provide a financial boost to the school’s mission. All funds raised over $700,000 are being used to establish a scholarship fund available to graduates of MHBA. The scholarship fund is named The Vidal Fund, after the young man who inspired the entire story. Nearly 30,000 people have donated so far. If you’d like to participate, you can do so by donating via the link in the bio.

A photo posted by Humans of New York (@humansofny) on

“Antes de tudo isso ter acontecido para a nossa escola, me sentia quebrado. E acho que o mundo também se sentia meio quebrado, porque muita coisa ruim tem acontecido ultimamente, especialmente entre negros e brancos. Mas todos vocês nos deram motivo para nos sentir menos quebrados. E o mais maluco é que isso está acontecendo em Brownsville. Antes, as pessoas assistiam TV e liam jornais e achavam que a gente só brigava por aqui. Mas agora tem muita gente que se importa com você e quer saber mais de você. As pessoas estão me mandando emails, querem ser minhas mentoras. Não só gente de Brownsville, não só gente do Brooklyn, não só gente de Nova York, mas gente do mundo inteiro. Então quero que todos vocês deem mais duro ainda. Quando não tiverem vontade de fazer a lição de casa, lembrem que estão contando a história de Brownsville para o mundo inteiro. Estamos fazendo um perfil da Mott Hall Bridges Academy, uma escola do ensino médio no bairro de Brownsville, Brooklyn. Estamos conhecendo a escola, seus estudiosos e seus educadores e estamos levantando fundos para dar um impulso à missão da escola. Todo os recursos levantados acima de 700 000 dólares serão usados para criar um fundo que vai oferecer bolsas de estudos para os formandos da MHBA. O nome do fundo é Vidal Fund, em homenagem ao rapaz que inspirou a história toda. Quase 30 000 pessoas já doaram. Se você quiser participar, basta clicar no link na bio."

Monique Achu, diretora de programas da escola, disse ao The Huffington Post que as crianças “não estavam acreditando”. Afinal de contas, como seria possível que uma pequena escola, que divide o prédio com outras duas no bairro de Brownsville, no Brooklyn – um dos mais pobre e mais violentos de Nova York – chamasse tanta atenção e despertasse tanta boa vontade? Os professores tiveram de explicar para os alunos que “não era piada”.

Tudo começou quando Vidal Chastanet, um estudante de 13 anos, encontrou por acaso o fotógrafo Brandon Stanton – o homem por trás de um dos blogs de fotografia mais populares da internet, o Humans of New York

Achu diz que Chastanet, um rapaz “que aprende rápido”, entrou na Mott no meio da sexta série. Ele mora com a mãe em Brownsville.

“Tento ser muito aberta com eles sobre tudo, porque quero que eles saibam que podem ser abertos comigo sobre tudo. Sou babá, e não tem faltado trabalho, mas às vezes é devagar. Quando fica devagar, explico que temos de fazer economia. Na sexta temos uma noite da família. Assistimos um filme e as crianças escolhem o que vamos comer. Mas eles sabem que quando a mamãe não está trabalhando não podemos ter as noites da família.”

“Ele nunca se envolve em confusões”, diz Achu. “Quando acontece, ele logo volta a se comportar.”

“Ele nunca teve medo de falar”, afirma ela. “Não é uma pessoa acanhada, então ele estava pronto para falar [com Stanton].”

Nos últimos cinco anos, Stanton vem tirando retratos de nova-iorquinos e fazendo perguntas às vezes inquisitórias e íntimas. Depois, ele posta as imagens no Facebook e no Instagram – e as respostas funcionam como legendas das fotos.

Duas semanas atrás, ele desceu do metrô em Brownsville e viu Chastanet caminhando na rua. O começo da conversa foi sobre o bairro.

“Quando você mora aqui, não tem muitos medos”, disse Chastanet, de capuz na cabeça e com moradias de baixa renda em segundo plano. “Você vê tudo o que a vida põe na sua frente. Quando tinha 9 anos, vi um cara ser empurrado do alto daquele prédio ali.”

Stanton mudou de assunto.

“Quem foi a maior influência da sua vida?”, perguntou o fotógrafo.

“Minha diretora, a senhora Lopez”, respondeu Chastanet.

“Como ela te influenciou?”

“Quando a gente se mete em alguma confusão, ela não nos suspende”, disse Chastanet, segundo Stanton. “Ela nos chama na sala dela e explica como a sociedade foi construída em cima da gente. E ela diz que, toda vez que um aluno sai da escola, uma nova cela é construída na cadeia. Uma vez ela mandou que todos os alunos ficassem de pé, um de cada vez, e disse para cada um por que nós éramos importantes.”

“Quem foi a maior influência da sua vida?” “Minha diretora, a senhora Lopez” “Como ela te influenciou?” “Quando a gente se mete em alguma confusão, ela não nos suspende. Ela nos chama na sala dela e explica como a sociedade foi construída em cima da gente. E ela diz que, toda vez que um aluno sai da escola, uma nova cela é construída na cadeia. Uma vez ela mandou que todos os alunos ficassem de pé, um de cada vez, e disse para cada um por que nós éramos importantes.”

Naquela noite, quando Stanton postou a resposta sobre Lopez no Facebook, o post virou um viral imediatamente, com mais de 1 milhão de curtidas. Intrigado pela escola, Stanton ligou para Lopes e pediu para visitá-la. Ela disse sim.

“Ele quase virou parte da família MHBA imediatamente”, disse Achu sobre a visita de Stanton, afirmando que o fotógrafo tem uma “afetuosidade contagiante”.

Durante uma semana, Stanton fotografou alunos e professores na escola. As crianças passaram a chamá-lo de “senhor Brandon”, diz Achu.

“Nesse bairro, não há muita expectativa com relação às crianças, então na Mott Bridges Hall Academy nossas expectativas são muito altas”, disse Lopez a Stanton, segundo um post no Facebook . “Não chamamos as crianças de ‘alunos’, mas sim de ‘estudiosos’. Nossa cor é o roxo. Nossos estudiosos usam roxo, assim como os funcionários. Porque roxo é a cor da realeza. Quero que meus estudiosos saibam que, mesmo que morem num conjunto habitacional de baixa renda, fazem parte de uma linhagem real que se estende a grandes reis e rainhas africanos. Eles pertencem a um grupo de indivíduos que inventou a matemática e a astronomia.”

“E eles pertencem a um grupo de indivíduos que passou por tantas dificuldades ao longo de sua história, mas ainda assim saiu por cima”, continuou ela. “Quando você diz que é de Brownsville, as pessoas fazem careta. Mas há crianças aqui que precisam saber que delas se espera o sucesso.”

Com isso em mente, Stanton e Lopez decidiram criar uma campanha para levantar fundos no site Indiegogo para mandar as crianças para Harvard.

Achu disse que escolheu a prestigiosa instituição para mostrar às crianças que “não existem limites”.

“Se você quiser estudar lá, você pode”, era a mensagem que Achu queria passar aos estudantes. “Os únicos limites que existem são os que você se impõe, e a melhor maneira de mostrar isso é dizer: ‘Eis aqui um campus que você jamais imaginou visitar, e você está aqui agora’. Se a gente consegue transformar isso em realidade, você também consegue. Estamos somente mostrando para eles que eles têm acesso, desde que se esforcem e se dediquem aos estudos.”

Achu disse que a ideia fazia parte da filosofia da escola de fazer os alunos se sentirem excepcionais.

“Não importa o que te digam em casa, ou se você não enxerga isso na sua comunidade. Quando pisa aqui, temos grandes expectativas”, disse ela.

Mas a falta de recursos às vezes dificulta a comunicação dessa mensagem. O New York Times disse na semana passada que a associação de pais levanta apenas algumas centenas de dólares por ano , ante centenas de milhares arrecadados nas escolas mais ricas.

Isso faz do dinheiro levantado pelo Humans of New York, com doações de quase 40 000 pessoas do mundo inteiro, uma sorte inesperada para a escola. O dinheiro é suficiente para mandar os jovens estudiosos para Harvard todo ano, por dez anos. O dinheiro também será usado para financiar programas de verão e para bolsas de estudos universitárias.

O primeiro a receber uma das bolsas será ninguém menos que Vidal Chastanet.

“Acho que ele está um pouco surpreso com a proporção que as coisas tomaram”, disse Achu sobre o jovem estudante.

Para esse próximo anúncio, perguntei a Vidal se poderia fotografá-lo no mesmo lugar em que nos conhecemos. Em apenas quatro dias, levantamos mais de 700 000 dólares para os colegas de Vidal na Mott Hall Bridges Academy. Quase 25 000 de vocês doaram. Juntas, essas doações vão financiar dez anos de viagens para Harvard e dez anos de programas de verão. As doações são um estímulo enorme para um grupo de estudiosos e educadores em sua batalha para estabelecer uma cultura de sucesso em um bairro desamparado. Houve uma assembleia hoje na qual o impacto da campanha foi explicado para todos os estudantes. Foi muito emocionante. (Mais sobre isso depois.) Queria anunciar que tudo o que passar de 700 000 dólares será reservado para um propósito final. Estamos criando uma bolsa de estudos para os formandos da Mott Hall Bridges Academy. Um comitê de educadores e administradores da MHBA vai escolher os beneficiados a cada ano. Vamos usar o dinheiro da campanha para começar o fundo, mas também vamos criar a fundação para que mais estudiosos sejam beneficiados no futuro. O fundo vai se chamar Vidal Scholarship Fund. E o primeiro beneficiário será o próprio Vidal. Se quiser contribuir, por favor clique no link da bio.


Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.