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25/02/2015 18:21 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

Novo estudo indica que maconha pode ser eficaz contra depressão

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Pesquisas sugerem que a cannabis pode ser uma opção de tratamento promissora para vários problemas físicos de médicos, do transtorno do estresse pós-traumático a dores crônicas. Um estudo divulgado esta semana sugere que a depressão pode ser incluída na lista.

Neurocientistas do Centro de Pesquisas de Vício da Universidade de Buffalo descobriram que os endocanabinoides – compostos químicos do cérebro que ativam os mesmos receptores que o THC, um composto ativo da maconha – podem ajudar no tratamento da depressão resultante de estresse crônico.

Em estudos com ratos, os pesquisadores descobriram que o estresse crônico reduz a produção de endocanabinoides.

Eles afetam nossa cognição, emoção e comportamento e foram associados à diminuição de dor e ansiedade, ao aumento do apetite e à sensação geral de bem-estar.

O corpo produz naturalmente esses compostos, similares aos encontrados na maconha.

A redução da produção de endocanabinoides pode ser uma razão pela qual o estresse crônico é um grande fator de risco no desenvolvimento da depressão.

Os pesquisadores ministraram canabinoides aos ratos e descobriram que eles são uma maneira eficaz de reequilibrar os níveis de endocanabinoides no cérebro – possivelmente, portanto, aliviando alguns sintomas da depressão.

“Usando compostos derivados da cannabis – maconha – para restaurar a função endocanabinoide normal pode potencialmente ajudar na estabilização do humor e aliviar a depressão”, disse o autor do estudo, Samir Haj-Dahmane, em um comunicado de imprensa.

Pesquisas recentes sobre o efeito da maconha no tratamento de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) amparam as descobertas dos neurocientistas de Buffalo, pois ambos os problemas envolvem a maneira como o cérebro responde ao estresse.

Um estudo publicado no ano passado na revista Neuropsychopharmacology, por exemplo, descobriu que canabinoides sintéticos provocam mudanças em áreas do cérebro associadas a memórias traumáticas em ratos, evitando alguns dos sintomas comportamentais e fisiológicos do TEPT.

Outro estudo do ano passado descobriu que pacientes que fumaram maconha apresentaram uma redução de 75% nos sintomas de TEPT.

Entretanto, é importante notar que a relação entre maconha e depressão é complexa. Pesquisas sugerem que o uso regular e intenso de maconha pode representar risco de depressão, apesar de não haver uma relação causal comprovada.

São necessários mais estudos para determinar se e como a maconha pode ser usada em contexto clínico para o tratamento de pacientes com depressão.

Leia a íntegra do estudo aqui.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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