NOTÍCIAS
25/02/2015 08:40 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Impunes, estupros e trotes violentos em universidades alimentam o surgimento de sociopatas ao estilo Ted Bundy

Montagem/Estadão Conteúdo

Dia 24 de janeiro de 1989. Aos 42 anos, o serial killer americano Ted Bundy era executado no estado da Flórida. Era o fim da vida de um homem que era considerado bonito, tinha o dom da sedução, usado para a prática de estupros, sequestros e assassinatos, cometidos entre 1974 e 1978, em várias partes dos Estados Unidos. E o que isso tem a ver com trotes em universidades no Brasil? Muito.

Tratado como sigiloso pela CPI que apura os estupros e violações de direitos humanos na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), um caso ainda não trazido completamente a público, registrado na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), demonstra que, diante da impunidade e das "tradições", estudantes com más intenções estão ficando mais sofisticados na prática de crimes, sejam eles trotes violentos ou abusos sexuais.

“Estamos investigando, não podemos cometer nenhuma injustiça principalmente porque as vítimas não querem falar, né?”, disse ao Brasil Post o deputado estadual Adriano Diogo (PT), presidente da CPI na Alesp. Durante uma das sessões da comissão, em janeiro, o parlamentar se referiu ao suspeito como um verdadeiro "serial killer".

Embora não tenha assassinado ninguém até onde se sabe, o suspeito de pelo menos cinco casos de estupro na FMUSP teria um modus operandi semelhante ao de um assassino em série, agindo de modo frio e calculista. De acordo com o que apurou o Brasil Post, trata-se de um homem de 36 anos, que entrou com 31 na faculdade. Em festas, ele seduzia meninas e se passava por namorado delas. Em seguida, descartava as jovens, após praticar "barbaridades".

“Essas vítimas nem se deram conta de que foram estupradas, por isso o medo em testemunhar”, comentou uma fonte ligada à CPI. O caso, tido como preocupante, depende justamente das denúncias das estudantes para ser trazido a público com mais detalhes.

De acordo com a mesma fonte, o suspeito se formou recentemente e possui um outro perfil, distinto da maioria dos estudantes que teriam envolvimento com trotes e abusos. Ele já estaria ciente de que é investigado. “É um caso preocupante. Essa pessoa eu considero muito perigosa”, completou Adriano Diogo.

Segundo estudantes e coletivos da USP, mais de cem casos de abusos, sejam eles físicos ou sexuais, além de casos de racismo e homofobia, já foram levados à direção da universidade. A instituição, por outro lado, trata com sigilo os casos que diz estar investigando, mas prometeu enviar todas as sindicâncias abertas para a CPI, cujo trabalho deve ser concluído até o dia 14 de março, quando termina a legislatura na Alesp.

ESPECIAL NÃO AOS TROTES

- Verdadeiros 'círculos viciosos', trotes universitários expõem contradições e desafiam uma tradição secular

- Omissão política, desrespeito às leis, fraudes e descaso: Por que a tradição dos trotes se mantém firme no Brasil

- Melhor universidade da América do Sul, USP concentra casos assustadores de trotes

- Quem está falando a verdade sobre os trotes na Faculdade de Medicina da USP?