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24/02/2015 21:00 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:03 -02

'Vergonhosa e ineficaz': Relatório da Anistia Internacional critica resposta global às violações de direitos humanos

AP Photo/Rodrigo Abd, File

A Anistia Internacional divulgou nesta terça-feira (24), um relatório anual que mapeia a situação dos direitos humanos em 160 países.

No documento, chamado “O Estado dos Direitos Humanos no Mundo”, a organização afirma que a resposta mundial aos crimes cometidos pelos Estados e pelos grupos armados é “vergonhosa e ineficaz”.

Segundo dados levantados pelo grupo, a tendência é de que a crise humanitária e de refugiados que o mundo atravessa hoje se torne ainda mais grave caso não haja uma mudança de postura global, a começar pela Organização das Nações Unidas, órgão criado em 1945 para evitar que situações semelhantes à Segunda Guerra Mundial se repetissem.

Salil Shetty, secretário-geral da Anistia Internacional, criticou a “ausência” da comunidade internacional em intervir em situações de atrocidades em massa e afirmou que 2014 foi um ano “catastrófico” para milhares de pessoas.

De acordo com a Anistia, caso não haja uma mudança na resposta global a problemas como a crise de refugiados na Síria, os ataques do Boko Haram na Nigéria e a crise na Ucrânia, o cenário em 2015 será ainda mais desolador.

"Os governos devem parar de fingir que a proteção de civis está além de seu poder e ajudar a reverter a maré do sofrimento de milhões. Os líderes devem abraçar uma mudança fundamental na maneira com que respondem a crises ao redor do mundo", afirma Anna Neistat, diretora sênior de pesquisa na Anistia Internacional.

A Anistia também fez críticas ao atual modelo do Conselho de Segurança da ONU e afirmou que é fundamental que os cinco membros permanentes do órgão – Rússia, França, Reino Unido, EUA e China – renunciem ao direito de veto. A Anistia criticou o sistema vigente e afirmou que os vetos têm emperrado a solução de muitos conflitos por causa dos interesses políticos divergentes das potências.

A incapacidade do mundo para lidar com os conflitos também é responsável por uma das maiores crises de refugiados da história que, segundo a Anistia, pode se agravar ainda mais caso recursos políticos e financeiros não sejam empregados para manter vivos aqueles que fogem da violência.

"É abominável ver que os esforços dos países desenvolvidos para manter as pessoas fora têm precedência sobre os seus esforços para manter as pessoas vivas", afirma Shetty.

Em seu relatório, a Anistia também faz um apelo aos governos locais, pedindo que as respostas aos conflitos não desrespeitem os direitos humanos e não sejam combustível para ainda mais violência, afirmando que reações radicais podem fazer com que a violência e o extremismo ganhem ainda mais espaço.