NOTÍCIAS
23/02/2015 17:44 -03 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Fernando Haddad constrói só 10% das habitações no centro de São Paulo, indo na contramão do conceito do Plano Diretor

Montagem/Estadão Conteúdo

Apenas 10% das unidades habitacionais concluídas, em obras ou em projeto pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT) estão localizadas em bairros do centro expandido de São Paulo. Na contramão da principal diretriz do novo Plano Diretor da cidade, que é aproximar o emprego da moradia, a Prefeitura concentra na periferia a maior parte da produção das moradias populares que prometeu entregar.

De acordo com levantamento feito pelo Estado com dados oficiais, somente três subprefeituras centrais receberão Habitação de Interesse Social (HIS) ao longo dos quatro anos da gestão petista. São elas: Sé, Mooca e Lapa.

E na soma das unidades, essas três regionais representam 6.614 moradias, de um total de 64.850. De acordo com o site da Secretaria Municipal de Habitação (Sehab), apesar de prometer entregar 55 mil unidades, Haddad já projeta empreendimentos que ultrapassarão a meta em 18%. Até agora, porém, foram entregues 4.017.

Já os bairros que serão mais contemplados com moradia, segundo planejamento de Haddad, são os que formam as periferias das zonas leste e sul da cidade. Itaquera, São Mateus, Cidade Ademar e Capela do Socorro estão na lista. De acordo com a localização do empreendimento, a distância para o centro passa de 30 quilômetros.

Segundo urbanistas ouvidos pela reportagem, parte da explicação para a contradição entre a teoria e a prática está no teto adotado pelo programa federal Minha Casa Minha Vida, responsável pelo financiamento da promessa de Haddad. São R$ 76 mil repassados por unidade.

Mesmo com o complemento de R$ 40 mil, dividido igualmente entre a Prefeitura e o Estado, o valor final de R$ 116 mil para o imóvel é insuficiente para bancar a produção de HIS no centro, onde o preço do terreno desequilibra a conta.

Para viabilizar a construção de moradias populares nas áreas mais centrais com financiamento federal, a Prefeitura depende de um aumento no teto pago pelo programa, além de um sinal verde para investir em empreendimentos de uso misto. Hoje, o Minha Casa Minha Vida não patrocina prédios que tenham, no térreo, estabelecimentos comerciais ou equipamentos públicos, como creches - modelo incentivado pelo novo Plano Diretor.

Longo prazo

Sem as mudanças propostas no programa federal, a gestão Haddad precisa apelar aos recursos arrecadados com as operações urbanas em andamento ou em projeto para viabilizar moradias populares no centro expandido.

Segundo o governo, a venda de títulos imobiliários ao mercado possibilitará, por exemplo, a construção de 5 mil moradias em bairros como a Água Branca, a Barra Funda e a Lapa, todos na zona oeste.

Eleições nos EUA
As últimas pesquisas, notícias e análises sobre a disputa presidencial em 2020, pela equipe do HuffPost