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15/02/2015 11:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Polícia da Dinamarca mata suspeito de realizar dois ataques em Copenhague

Montagem/AP, Reuters e Divulgação

A polícia da Dinamarca afirmou ter matado um suspeito, que teria sido responsável pelos ataques realizados na noite deste sábado (14) a um café de Copenhague e a uma sinagoga. O homem foi morto em uma estação de trem no bairro de Noerrebro, após ter atirado contra a polícia, informaram as autoridades.

Joergen Skov, investigador da polícia, afirmou que "nada sugere envolvimento de outros responsáveis" pelos ataques, que deixaram dois mortos e cinco policiais feridos. Os eventos de sábado criaram mais temores sobre uma onda de terrorismo na Europa, um mês depois dos ataques em Paris, que deixaram 17 mortos.

O primeiro ataque aconteceu antes das 16h (horário local) de sábado, quando um homem abriu fogo contra o café Krudttoenden, onde era realizado um evento a favor da liberdade de expressão organizado pelo artista sueco Lars Vilks. Segundo a polícia, os tiros foram disparados do lado de fora e atravessaram a janela do estabelecimento. Testemunhas disseram que mal tinha terminado uma introdução para o evento, quando até 40 tiros foram disparados, do lado de fora, enquanto um invasor tentava atirar dentro do local.

Um homem de 55 anos foi morto e três policiais ficaram feridos. O serviço de segurança da Dinamarca declarou que as circunstâncias do tiroteio ao café "indicam que estamos falando sobre um ataque terrorista".

Depois da meia-noite de domingo (15), um homem judeu foi morto e mais dois policiais, feridos, em um segundo tiroteio, que aconteceu em frente a uma sinagoga.

Skov afirmou que o suspeito foi confrontado pela polícia quando chegou a um local que estava sendo vigiado. O investigador afirmou que o homem teria entre 25 e 30 anos e carregava uma arma automática.

Vilks, artista de 68 anos que já recebeu diversas ameaças por desenhar caricaturas do profeta Maomé, afirmou acreditar ter sido o alvo do primeiro ataque. "Que outro motivo poderia haver? É possível que o ataque tenha sido inspirado em Charlie Hebdo", disse, fazendo referência ao ataque realizado em 7 de janeiro, quando extremistas islâmicos atacaram a redação do jornal satírico em Paris.

Líderes europeus condenaram a violência e expressaram apoio à Dinamarca. O serviço de segurança da Suécia afirmou que está compartilhando informações com autoridades dinamarquesas, enquanto a porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Bernadette Meehan, afirmou que oficiais dos EUA estão prontos para ajudar nas investigações e estavam em contato com a polícia da Dinamarca. O presidente do Conselho Europeu Donald Tusk chamou o ataque de sábado de "outro ataque terrorista brutal que teve como alvo nossos valores e liberdades fundamentais, incluindo a liberdade de expressão."

A Dinamarca tornou-se um alvo após a publicação há 10 anos de charges satirizando o profeta Maomé, imagens que levaram a protestos por vezes fatais no mundo muçulmano. Muitos muçulmanos consideram qualquer representação do profeta Maomé uma blasfêmia. Vilks lançou polêmica em 2007 com seus desenhos retratando Maomé como um cão, desencadeando inúmeras ameaças de morte. Ele ficou sob a proteção da polícia sueca desde 2010. Há dois anos, uma americana foi condenada a 10 anos de prisão nos Estados Unidos por conspirar matá-lo.

O presidente francês, François Hollande, disse que o ministro do Interior Bernard Cazeneuve iria para a capital dinamarquesa ainda neste domingo. Em Paris, em 17 de janeiro, os irmãos Cherif e Said Kouachi invadiram o escritório do jornal Charlie Hebdo e abriram fogo em vingança por suas imagens satíricas do profeta Maomé. Ao todo, 17 pessoas foram mortas em mais de três dias de violência na França.

(Com Reuters)

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