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14/02/2015 14:03 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Crise da água em SP: Clubes de futebol, redes Globo e Record, igrejas e condomínios são os grandes consumidores

Montagem/Estadão Conteúdo

Em tempos nos quais só se fala em racionamento e rodízio de água em São Paulo, há um grupo de pelo menos 500 grandes consumidores que segue se dando bem. É o que mostra uma lista parcial com quase 300 empresas que possuem um ‘contrato diferenciado’ com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp).

A relação, que vinha sendo alvo até de uma ação da Pública, com base na Lei de Acesso à Informação, era guardada a sete chaves pela Sabesp. O El País Brasil trouxe a lista de 294 pessoas jurídicas, na qual aparecem diversos clubes (Pinheiros, Corinthians, Palmeiras e Hebraica), shoppings (Eldorado), hotéis (Hilton) e entidades como a Companhia de Trens Metropolitanos (CPTM) e a Bolsa de Valores de São Paulo.

A dinâmica do contrato, que passou a captar clientes a partir de 2010, é simples: quanto maior o consumo, maior o desconto na tarifa paga. Há situações em que a média da tarifa paga pelo grande consumidor que firmou o acordo com a Sabesp é metade daquela paga pelo cidadão comum. Vantajoso para quem gasta pelo menos 500 mil litros de água por mês – valor suficiente para o consumo médio de 128 pessoas –, o contrato não ganhou novos clientes desde fevereiro de 2014, segundo a Sabesp.

A relação, ainda que incompleta, é um dos elementos que a CPI da Sabesp, que corre na Câmara Municipal de São Paulo, quer analisar para, ao final dos trabalhos, questionar o próprio município e o seu acordo com a companhia que abastece a capital. Há fortes críticas contra o prefeito Fernando Haddad pelo fato da prefeitura não ter tido uma posição mais dura contra a Sabesp, a qual é contratada pelo município e recebe por isso.

De acordo com a Sabesp, a companhia informou que liberou esses clientes do polêmico contrato – chamado de “demanda firme” – da obrigação de consumir a cota mínima para o desconto valer, incentivando assim que as empresas busquem “fontes alternativas” de água. “Da mesma forma que ocorre com os clientes residenciais, as empresas com contrato de demanda também serão penalizadas com ônus se ultrapassarem a média do consumo”, informou.

A multa, cobrada a partir de janeiro, incide sobre o valor da conta após o desconto previsto no contrato - quanto maior a quantidade gasta, menor o preço cobrado do metro cúbico.

Secretaria reconhece fechamento de registros

O secretário de Recursos Hídricos de São Paulo, Benedito Braga, reconheceu nesta sexta-feira (13) que a Sabesp fecha o registro de parte da rede de distribuição de água da Grande São Paulo. “O sistema de redução de pressão não está disponível em todos os locais. Em alguns lugares, de fato, é preciso haver uma intervenção física, que não é telemetrada. Isso é algo que acontece em uma situação de escassez hídrica”, disse.

Na semana passada, o jornal O Estado de S. Paulo noticiou que técnicos da estatal fecham o registro de 40% da rede. A manobra é feita manualmente na rua por funcionários da empresa nas regiões onde não há válvulas redutoras de pressão (VRPs) instaladas e deixa parte da tubulação despressurizada, provocando cortes no abastecimento. O secretário de Recursos Hídricos não soube precisar o número de torneiras secas em consequência da manobra manual.

“Precisa perguntar para os técnicos da Sabesp. Não tenho uma resposta neste minuto. Estou há poucos dias no cargo”, afirmou.

Cantareira subiu mais uma vez

O nível do principal manancial de São Paulo, o Sistema Cantareira, subiu pela nono dia consecutivo neste sábado (14), segundo dados da Sabesp. Outros três reservatórios (Alto Tietê, Rio Grande e Rio Claro) também registraram aumento da água armazenada. Já o Guarapiranga e o Alto Cotia tiveram queda.

No Cantareira, com aumento de 0,2 ponto porcentual, o mesmo desta sexta-feira (13), o nível chegou a 7,1% de sua capacidade. No dia anterior, o patamar estava em 6,9%. A pluviometria sobre a região do manancial foi de 15,9 milímetros. O volume fez a chuva acumulada em fevereiro saltar para 161,8 mm, o que já representa 81% do esperado para o mês.

O atual cálculo da Sabesp já considera duas cotas do volume morto, uma de 182,5 bilhões e outra de 105 bilhões de litros de água, que foram acrescentadas em maio e outubro de 2014, respectivamente.

Proporcionalmente, o sistema de abastecimento que teve maior aumento foi o Alto Tietê, que aumentou 0,4 ponto porcentual e passou de 13,3% para 13,7%, beneficiado pelo grande volume de precipitação. Sobre a região, choveu 34,5 mm entre sexta-feira (13) e este sábado (14). Já os Sistemas Rio Grande e Rio Claro registraram altas de 0,3 e 0,1 ponto porcentual, respectivamente, e alçaram 80,2% e 31,9% da capacidade.

Sem o registro de chuvas, o Guarapiranga e o Alto Cotia registraram recuos neste sábado (14). O primeiro teve queda de 55,2% para 55%, enquanto o segundo, de 34,3% para 34,2%.

(Com Estadão Conteúdo)

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