COMPORTAMENTO
13/02/2015 19:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Dicas da guru Randi Zuckerberg para uma desintoxicação digital (e para cuidar de duas crianças)

Quando se trata de defender a mudança tão necessária sobre o modo como vivemos, nada é mais poderoso do que uma voz do próprio ramo. A evidência disso pode ser comprovada no movimento “Lean In” (em tradução literal, "se inclinar", expressão usada para que mulheres deem um passo à frente no ambiente de trabalho) de Sheryl Sandberg e de nossa própria fundadora Arianna Huffington que, apesar de comandar um site de notícias 24 horas, defende apaixonadamente a necessidade que temos de nos “desligar”.

O mesmo espírito de Huffington é compartilhado por Randi Zuckerberg, irmã de Mark, fundador do Facebook, que até 2011 trabalhava como diretora de desenvolvimento de mercado e como porta-voz para seu irmão. Obviamente, Zuckerberg deveria estar nos aconselhando a permanecer on-line o máximo possível, mas nos últimos anos se tornou uma voz muito requisitada nas discussões sobre a necessidade de nos desconectarmos de nossos smartphones e laptops.

Isso não significa que Randi tenha abandonado a tecnologia — ela saiu do Facebook para abrir sua própria empresa de marketing de mídia social, a Zuckerberg Media, e compõe a lista do jornal New York Times de autores mais vendidos, além de ser editora-chefe do site de estilo de vida Dot Complicated e apresentadora na rádio SiriusXM.

Conversamos com a empresária e guru de marketing digital. Ela fez questão de destacar que, ao defender um melhor uso da tecnologia, não significa que esteja contra ela.

“Em geral, a tecnologia é uma ótima força positiva em nossas vidas — trabalhando e com dois filhos, eu não poderia fazer 80% do que faço sem ela. A tecnologia é uma influência extremamente positiva, mas eu de fato percebo em minha própria vida e quando falo com outras pessoas, que está cada vez mais difícil conversar com alguém e conseguir ser o centro das atenções.”

Com certeza sua mensagem é compartilhada por outras mulheres — famosas ou não — que se sentem quase que constantemente levadas ao limite, pois precisam desempenhar várias tarefas ao mesmo tempo.

“Somos constantemente distraídas, bombardeadas com muitas formas diferentes de comunicação”, diz. “Temos que desempenhar muitas tarefas ao mesmo tempo porque podemos ser encontradas em muitas plataformas diferentes, e isso pode realmente ter algumas consequências em sua felicidade e bem-estar. Como, por exemplo, não estar presente em conversas com seus entes queridos.”

Com 32 anos, dois a mais do que Mark, Randi começou sua carreira em publicidade — trabalhou por dois anos na Ogilvy and Mather. Mas, antes disso, queria ser cantora litúrgica. Para os que não sabem, o cantor litúrgico, ou “chazan”, é a pessoa que trabalha com o rabino na comunidade judaica, normalmente com experiência musical, que ajuda a conduzir os hinos litúrgicos nas cerimônias.

"Estudei hebraico e música na faculdade, e então veio o Facebook e levou minha vida para uma direção totalmente diferente, mas aquele era o caminho profissional original”, disse Randi à revista Forbes.

O Facebook trouxe algumas conquistas incríveis para sua carreira. Ela foi pioneira em acordos com as redes de TV ABC (com os primeiros debates on-line das eleições presidenciais) e CNN (para cobrir a posse de Barack Obama) e foi indicada ao Emmy em 2011 e 2010 por sua cobertura das eleições legislativas nos Estados Unidos.

De volta ao presente, sua vida é semelhante mas notoriamente diferente. É autora de best-sellers e seus livros sobre Dot — uma garotinha que aprendeu que existe vida além do seu tablet e celular — serão adaptados por Jim Henson para uma série de televisão. Abriu sua própria empresa e suas opiniões sobre mídia social são muito demandadas — mais do que quando trabalhava no Facebook, diríamos.

Então o que levou uma das mulheres mais conectadas do mundo a se desconectar?

“Sem dúvida o nascimento do meu primeiro filho mudou completamente meus pontos de vista e perspectiva. Percebi que, ainda muito pequeno, ele já podia me dizer que estava competindo com um telefone por meu amor e atenção. Percebi que a tecnologia é incrível, mas nós também desenvolvemos alguns hábitos muito ruins através dela e não quero que meus filhos cresçam com os mesmos hábitos. Então, como começamos a incentivar as pessoas em pequenos gestos a colocar alguns limites para estarmos mais presentes e um pouco mais conscientes?”

O que mais lhe perguntam são suas dicas para se desconectar, já que muitas pessoas se sentem escravas dos próprios telefones.

Minha dica número um é passar 20 minutos sem checar seu e-mail ou telefone. Sinto que isso realmente vai ajudá-lo a começar seu dia mais feliz e permitir que você acorde. Mesmo se não for capaz de se desconectar de outras formas, faça isso”, diz.

A maioria das mães com filhos pequenos sente que mal consegue dar conta de tudo, então como uma empresária de sucesso que também tem o próprio programa de rádio consegue ?

“Tento, pelo menos uma vez na semana, reservar um bom espaço de tempo para me desligar, e agora cheguei a um ponto onde as pessoas ao meu redor sabem que faço isso e, portanto, não me procuram — você pode fazer isso! Amo spa. Ioga também é uma das coisas que mais gosto de fazer.”

Quando pergunto a Zuckerberg sobre como seria um dia normal, ela brinca que não deveria ser muito honesta ou acabaria levando outras pessoas a desistirem de ter filhos. Mas conforta saber (desculpe, Randi) que mesmo uma mulher com todo o dinheiro e recurso à sua disposição tem dificuldades — alguns obstáculos são universais.

Perder a individualidade com o nascimento do primeiro filho é extremamente comum e Zuckerberg diz que é a primeira coisa que desaparece.

“Você tem seus filhos, sua casa, seu trabalho. E cuidar de si mesma é a última coisa que vem à mente.” Zuckerberg tem sorte porque o marido a ajuda para que possa ter tempo de fazer ioga ou correr. No entanto, ela acredita que consegue se manter saudável por causa de seu próprio mantra. "Tem cinco palavras — amigos, família, sono, ginástica e trabalho. Você escolhe três por dia — elas não precisam ser as mesmas todos os dias — e posso me permitir não ter que fazer tudo todos os dias. Porque se você não se permitir, é onde acaba esgotada.”

“Existe toda essa pressão sobre como conseguir fazer tudo, e a resposta é que você não consegue fazer tudo. Para muitas mulheres, cuidar da saúde e dormir são colocados em segundo plano. Faço um esforço para conseguir fazer essas coisas o máximo possível.”

Tirar um tempo livre no momento é um luxo mas, quando consegue, ela corre (“ou faz uma caminhada rápida”) e volta aos dias quando aspirava ser cantora litúrgica. Zuckerberg adora música.

Quando sai com os amigos, pergunto, pede que eles guardem os telefones?

“Tenho implicância em sair para jantar com amigos e todo mundo colocar os telefones na mesa, porque é como se você estivesse silenciosamente comunicando que está esperando que algo melhor aconteça. Claro que sempre há ressalvas para outras amigas que são mães — temos que deixar os telefones à mão, caso a babá ligue. Mas você tem que fazer essa ressalva!”

Zuckerberg acredita que essa abordagem consciente em relação à tecnologia representa o futuro e é semelhante à onda de saúde e exercícios físicos que surgiu nos anos 80. Com certeza entendemos a mensagem em alto e bom som na feira Consumer Electronics Show (CES), quando o editor de tecnologia Michael Rundle escreveu sobre a grande tendência para 2015: desintoxicação digital.

Então, qual seria o último conselho?

“Acho que reservar um tempo — mesmo que sejam 15 minutos — para os filhos, deixar os aparelhos de lado, olhá-los nos olhos, fazer com que sintam que são os únicos em sua vida naquele momento”, diz.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost UK e traduzido do inglês.

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