MULHERES
12/02/2015 15:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Meninas de pelo menos 70 países ainda são agredidas por querer estudar, diz relatório da ONU

REINNIER KAZE via Getty Images
Girls carry thier school books on November 13, 2014 in a UNHCR camp for Nigerian refugees in Minawao, in the extreme north-west of Cameroon. Almost 17,000 Nigerians in this camp have fled their country , terrified of raids by the Islamists of Boko Haram..AFP PHOTO: Reinnier Kazé (Photo credit should read Reinnier KAZE/AFP/Getty Images)

Um novo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) revela que meninas de pelo menos 70 países foram atacadas nos últimos cinco anos por quererem estudar. Professores e pais que defendem a igualdade de gênero nas escolas também foram alvos de agressão entre 2009 e 2014.

"Enquanto temos um progresso significativo no sentido de garantir educação para todos, em muitos países, as meninas ainda enfrentam barreiras para gozar de seus direitos", diz a organização. "Os ataques contra essas meninas persistem e, de forma alarmante, parece estar ocorrendo com maior regularidade em determinados locais."

O relatório aponta alguns dos casos mais recentes, como o assassinato de mais de 100 crianças durante um ataque do Taliban paquistanês em uma escola do exército em Peshawar, em dezembro de 2014, a captura de cerca de 300 estudantes em abril de 2014 pelo Boko Haram, na Nigéria, e o rapto e estupro de meninas em uma escola cristã na Índia, em julho de 2013.

Os ataques acontecem de diferentes formas e, em muitos casos, não são motivados pelo desejo de negá-las o direito à educação, mas refletem a violência experimentada pelas meninas e mulheres em todas as esferas públicas e privadas de suas vidas, observa o relatório.

Os ataques tem um efeito cascata - eles não só impactam as vidas das meninas e comunidades em que elas vivem, mas enviam um sinal aos seus pais e guardiões das escolas de que estas não são um lugar seguro para as meninas.

Ainda de acordo com a ONU, a exclusão da educação na vida das meninas agrava outras violações dos direitos humanos, tais como violência doméstica, gravidez precoce, tráfico e exploração sexual.