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12/02/2015 10:20 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Explosão em Vitória é 3º maior acidente em plataformas da Petrobras; número de mortos sobe para 5

Divulgação/Estadão Conteúdo

Subiu para cinco o número de mortos na explosão no navio plataforma da PetrobrasFPSO Cidade de São Mateus, no Espírito Santo, ocorrida na tarde desta quarta-feira (11). A informação foi confirmada pelo Sindicato dos Petroleiros do Espírito Santo (Sindipetro-ES), na manhã desta quinta-feira (12). Outros quatro funcionários continuam desaparecidos e dez ficaram feridos.

Segundo o G1, os dois corpos adicionados ao número de mortos foram encontrados na sala de máquinas do navio-plataforma.

A presidente Dilma Rousseff soltou uma nota em solidariedade às vítimas e suas famílias.

A presidenta Dilma Rousseff viajou hoje de manhã para São Paulo, para realizar exames de rotina no hospital Sírio-Libanês. Antes, ela procurou o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, para que ele externe a sua solidariedade junto às famílias das vítimas do acidente com o navio-plataforma da empresa BW.

A Petrobras irá cuidar para que a BW preste toda a assistência às famílias envolvidas.

Segundo a Petrobras, 74 pessoas estavam a bordo do navio no momento do acidente, e 43 funcionários foram retirados da plataforma. De acordo com a ANP (Agência Nacional do Petróleo) não houve derramamento de óleo, o fogo foi debelado e a plataforma está estabilizada. A explosão que causou o incêndio aconteceu na casa de bombas da unidade. Trinta e três pessoas foram desembarcadas e outras 31 permanecem a bordo.

"A plataforma está sem comunicação. Estamos fazendo contato por meio da plataforma Vitória (próxima ao local do acidente)", disse o diretor do Departamento de Segurança da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel.

A FPSO produziu em média 2,5 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia e 2 mil barris de petróleo por dia em dezembro, segundo Rangel. A plataforma operava nos campos de Camarupim e Camarupim Norte, a cerca de 80 km da capital do Estado, Vitória.

Terceiro maior da história

A explosão do navio-plataforma em Vitória (ES) é o terceiro maior acidente desse tipo em plataformas da Petrobras. O maior ocorreu em 16 de agosto 1984 no poço 33 do campo de Enchova, na Bacia de Campos (RJ), quando morreram 37 pessoas e 23 ficaram feridas. O acidente começou quando houve um vazamento de gás de um poço que estava sendo perfurado. O vazamento provocou incêndios com chamas atingindo até 20 metros de altura e a queda da torre de perfuração.

As mortes foram ocasionadas pelo rompimento dos cabos de sustentação da baleeira onde estavam 57 pessoas que tentavam escapar do acidente. Os cabos não suportaram o peso e o barco despencou de uma altura de 18 metros. No momento do acidente havia 220 pessoas na plataforma. O incêndio durou 16 horas e se extinguiu com o esgotamento do gás do poço. A 37ª vítima morreu dois dias depois.

Em 15 de agosto de 2001, três explosões na plataforma P-36, localizada no Campo do Roncador, também na Bacia de Campos, a 125 km da costa do Rio, causaram 11 mortes e resultaram no afundamento da então maior plataforma semissubmersível do mundo. As explosões ocorreram em uma das colunas de sustentação da P-36, onde estavam 175 pessoas. Durante cinco dias o Brasil acompanhou o lento afundamento da plataforma, que foi submersa em 20 de agosto.

Dias antes da explosão, responsáveis pelo corpo técnico da plataforma uma explosão emitiram boletins informando pressão anormal no sistema de eliminação de gases do equipamento e a necessidade de parar a produção para a troca de peças.

O relatório com as conclusões sobre o acidente da P-36, elaborado pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e pela Marinha, saiu em julho de 2001 e inocentou a Petrobras, mas relatou uma sucessão de falhas de operação, de projeto e manutenção". Para David Zylberstajn, então diretor-geral da ANP, "a Lei de Murphy funcionou perfeitamente nesse caso, e tudo o que poderia dar errado deu. Não vamos punir a Petrobras ou quem quer que seja por desleixo".

O relatório concluiu que a principal causa da explosão na P-36 foi a falha de uma válvula que permitiu que a água e o petróleo entrassem em um tanque desativado". Quando a pressão no tanque se tornou muito alta, o equipamento se rompeu espalhando gás por toda a coluna da plataforma. Com a coluna tomada pelo gás, ocorreu a segunda explosão provavelmente no momento em que a brigada de emergência entrou na sala para verificar o que ocorria", relatou o jornal O Estado de S. Paulo na edição de 28 de julho de 2001.

Como o acidente no navio-plataforma, a afundamento da P-36 também ocorreu em um momento em que a Petrobras estava sob holofotes. Uma das críticas à atuação da petroleira no governo Fernando Henrique Cardoso era a produção de equipamentos, inclusive de plataformas, no exterior.

A P-36, fabricada e montada no Canadá, estava há menos de um ano em atividade, e foi uma das seis plataformas encomendadas pela Petrobras em meados dos anos 1990. O acidente na P-36 foi usado na campanha presidencial de Lula no ano seguinte. O então candidato do PT reafirmou a necessidade de que a produção de equipamentos para a Petrobras deveria ser feita no Brasil, o que reativaria a indústria naval nacional.

(Com Estadão Conteúdo)