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11/02/2015 10:45 -02 | Atualizado 26/01/2017 22:02 -02

Documentário da Anistia Internacional, ‘A outra Entrevista' narra a vida em um campo de concentração da Coreia do Norte

A ONG Anistia Internacional aproveitou a repercussão do filme “A Entrevista”, que teve seu lançamento adiado após um ataque de hackers norte-coreanos contra a Sony Pictures, para divulgar na internet o documentário “A outra Entrevista”. Com pouco mais de 15 minutos de duração, o filme é um depoimento da ex-prisioneira norte-coreana Ji-hyun Park, que ficou presa em um campo de concentração do regime entre 1996 e 1998.

Ela foi condenada a cumprir pena em um campo de trabalhos forçados por ter fugido para China, país que posteriormente a deportou de volta à Coreia do Norte. Durante sua punição, ela conta que viu mulheres e crianças morrerem de fome e outros comendo ratos para sobreviver. Ela também tinha de limpar as latrinas dos banheiros com as próprias mãos, sem luvas com escovões.

O relato estarrecedor é pontuado com imagens que retratam como eram as condições de vida em um campo de concentração norte-coreano.

"É realmente indescritível de tão ruim. Pode-se dizer que toda a Coreia do Norte é uma grande prisão, mas lá [no campo] é ainda muito pior (...) Todas as pessoas passam fome. E muitos comem ratos, cobras ou plantas para sobreviver”.

"Nós trabalhávamos mais do que animais. O dia começava às 4h30 da manhã, antes que pudéssemos comer qualquer coisa. No verão, quando os dias são mais longos, trabalhávamos até as 20h ou 21h, sem descanso”, relata ela. "Parávamos depois de escurecer. Mas o dia não terminava aí. Depois de comer [a única refeição do dia], tínhamos de pensar sobre o nosso dia de trabalho e recitar os princípios do Partido e aprender suas canções. Aí já era meia-noite e estávamos exaustos". E no dia seguinte era a mesma rotina, sem descanso.

Ji-hyun contraiu tétano depois de uma lesão na perna e ficou impossibilitada de andar por um tempo. Como ela não era mais útil no campo, foi libertada. E mais uma vez ela fugiu para a China, onde havia deixado um filho com amigos. Os dois foram a pé até a fronteira com a Mongólia. Lá ela se casou e hoje a família vive em Manchester, na Grã-Bretanha.

Ji-hyun conta que fugiu da Coreia do Norte para escapar da fome que assolou o país na década de 1990. Estima-se que cerca de 4 milhões de pessoas morreram de fome no país nesta década.

O nome do documentário se refere ao título do filme “A Entrevista”, em que dois produtores de TV trapalhões que são recrutados pelo serviço secreto americano para assassinar o ditador Kim Jong-un. Pyongyang considerou o filme como um “ato de guerra” e a ameaçou retaliar Washington “com uma chuva de mísseis”.