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09/02/2015 10:21 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:54 -02

Investigação Swissleaks revela esquemas de evasão fiscal no banco HSBC

Montagem / AP Photo / iStock

O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, sigla em inglês) divulgou no domingo (8) documentos confidenciais sobre a filial suíça do banco britânico HSBC, que revelam supostos esquemas de evasão fiscal.

De acordo com o ICIJ, após a análise de 60 mil arquivos – o trabalho foi feito por 45 jornalistas em 140 países – a conclusão foi de que o banco “estava ciente dos negócios ilícitos feitos por alguns clientes”.

A investigação, batizada "Swissleaks", revela documentos vazados por Hervé Falciani , ex-funcionário do HSBC em Genebra.

Segundo o consórcio, o banco privado ofereceu serviços a clientes que eram citados, inclusive pela Organização das Nações Unidas (ONU), como sendo ligados a atividades ilegais como o tráfico de armas, de diamantes e suborno. Ainda de acordo com os documentos, o banco oferecia aos clientes serviços que eram nada mais que manobras para driblar autoridades fiscais.

Foram mencionados na investigação o ex-presidente egípcio Hosni Mubarak, o ex-líder da Tunísia, Ben Ali e o ditador da Síria, Bashar al-Assad. Também estão entre os clientes cujos dados foram vazados políticos de diversos países, entre eles a Grã-Bretanha, a Rússia, a Ucrânia, o México e o Paraguai.

A informação divulgada diz respeito a contas no valor de mais de US$ 100 bilhões, englobando 106 mil clientes de 203 países.

Apesar de expor estes documentos, o consórcio de jornalistas afirma que não pretende "sugerir ou presumir que quaisquer pessoas, empresas ou entidades mencionadas nos dados da informação revelada tenham violado a lei ou tenha tido outro tipo de conduta imprópria".

O Brasil aparece na lista como o 9º país com maior quantia de dólares entre as contas cujos dados foram vazados. O montante máximo associado com um cliente brasileiro foi de US$ 302 milhões.

Segundo Fernando Rodrigues, jornalista brasileiro que participa do projeto, as autoridades brasileiras não responderam ao seu questionamento se tais contas são legais e foram devidamente declaradas à Receita Federal.

A filial suíça do banco britânico HSBC Private Bank assegurou ter sofrido uma “transformação radical” após os “incumprimentos verificados em 2007”, para evitar casos de fraude fiscal e de lavagem de dinheiro.

“O HSBC (da Suíça) realizou uma transformação radical em 2008 para evitar que os seus serviços sejam utilizados para fraudar o fisco ou para a lavagem de dinheiro”, disse o diretor-geral da filial, Franco Morra, no comunicado enviado à agência de notícias France Presse.

(Com informações da Agência Lusa)