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06/02/2015 11:17 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Presidente do Banco do Brasil, Aldemir Bendine é escolhido por Dilma Rousseff e deve assumir a presidência da Petrobras

Montagem/Estadão Conteúdo

Aldemir Bendine deve ser o novo presidente da Petrobras. A informação ainda não foi confirmada pela estatal nesta sexta-feira (6). O atual presidente do Banco do Brasil vai substituir Maria das Graças Foster, cujo pedido de demissão foi oficializado nesta semana, junto com outros cinco diretores da companhia. Segundo informações da jornalista Cristiana Lôbo, da GloboNews, o nome de Bendine foi escolhido pessoalmente pela presidente Dilma Rousseff.

O nome do presidente do BB não vinha sendo um dos mais cotados nos últimos dias nos bastidores políticos e do mercado financeiro, os quais passavam por figuras como Henrique Meirelles (ex-presidente do Banco Central), Luciano Coutinho (presidente do BNDES), Murilo Ferreira (presidente da Vale) e Paulo Leme (presidente do Goldman Sachs).

Entretanto, os jornais desta sexta-feira traziam a informação, advinda de fontes do Planalto, de que seria um “nome surpresa” o indicado para assumir a empresa.

O anúncio oficial era aguardado depois do término da reunião do Conselho de Administração da Petrobras, que começou por volta das 9h desta sexta em São Paulo. Mas a assessoria da companhia disse que o nome do novo presidente e demais integrantes da diretoria só devem ser confirmados após o fechamento do mercado financeiro.

Falando em mercado financeiro, as ações da Petrobras caíram por volta de 6% na manhã desta sexta-feira com o nome de Bendine para a presidência, de acordo com informações da GloboNews. Ainda segundo o canal, o mercado financeiro esperava um nome de maior credibilidade para assumir a companhia.

Quem é Aldemir Bendine

Funcionário de carreira do Banco do Brasil, Aldemir Bendine assumiu a presidência do banco em abril de 2009, substituindo Antônio Francisco de Lima Neto, depois de passar pela Diretoria de Cartões, Verejo e Novos Negócios, e ser ainda vice-presidente do BB. Foi considerado um dos 100 brasileiros mais influentes do mesmo ano pela revista Época, que o classificou como “experiente” para os desafios colocados a ele pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A saída de Bendine do comando do banco foi definida no fim do ano passado e, segundo informações da Folha de S. Paulo, ele era também cotado para assumir o BNDES neste ano. Já a Época informou que ele era tido como um possível nome a assumir a presidência da Cielo, a empresa de cartões do BB e do Bradesco.

O comando do Banco do Brasil por Bendine, porém, não passou incólume por polêmicas. Em novembro do ano passado, o jornal O Globo noticiou que a saída dele da presidência do banco teria sido influenciada pelo desgaste criado por denúncias de favorecimento a uma amiga – a socialite Val Marchiori – em empréstimos concedidos pelo BB e pelo BNDES no valor de R$ 2,7 milhões. Em nota na época, a instituição negou qualquer irregularidade.

Outro escândalo envolvendo o nome dele foi a compra de um apartamento no interior de São Paulo por R$ 150 mil, pagos em dinheiro vivo. O episódio teria ligação com os “entreveros entre o BB e a Previ”, segundo o IG.

Nascido em Paraguaçu Paulista, Bendine é palmeirense e fã da banda britânica Queen. Os amigos o conhecem como ‘Dida’, aquele que entrou para o BB aos 15 anos, como estagiário.

Muitas negociações na véspera

Dilma corria contra o tempo para encontrar alguém com credibilidade no mercado para reerguer a Petrobras, mas ganhou, na quinta-feira (5) dois novos obstáculos: a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados para apurar desvios na Petrobras e a nona etapa da Operação Lava Jato, da Polícia Federal. Os dois elementos reforçam o que é apontado nos bastidores como o maior empecilho para se encontrar um substituto para Graça Foster: o risco do surgimento de irregularidades ainda não detectadas.

A presidente passou o dia fazendo contatos, auxiliada mais de perto pelo ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante. Dilma deixou cedo o Planalto, antes das 18h, mas foi ao Palácio do Alvorada e deu prosseguimento às reuniões com sua equipe de coordenação política.

No Rio de Janeiro, os representantes da União no Conselho da Petrobras, entre eles os ex-ministros Guido Mantega e Miriam Belchior, reuniram-se para discutir a troca de comando da estatal, que deverá ser o principal tema da reunião. O balanço de 2014 da empresa não estava na pauta.

(Com Reuters e Estadão Conteúdo)