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06/02/2015 19:56 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Ministério Público investiga empréstimo ilegal do Banco do Brasil à Val Marchiori, quando Aldemir Bendine era presidente

Montagem/Estadão Conteúdo

Mal assumiu a presidência da Petrobras, às voltas com um escândalo bilionário com requintes de corrupção, o executivo Aldemir Bendine já se depara com uma denúncia que ele terá de esclarecer. Trata-se do empréstimo de R$ 2,79 milhões concedido pelo Banco do Brasil à empresa da socialite Val Marchiori, em 2013, quando Bendine era o presidente.

Nesta sexta-feira (6), o Ministério Público Federal (MPF) pediu a abertura de um inquérito sobre a operação financeira, que é considerada irregular. Isso porque a subcelebridade tinha restrição de crédito e, mesmo assim, conseguiu acesso ao dinheiro no Banco do Brasil por meio de uma linha subsidiada pelo BNDES.

Val Marchiori é amiga de Aldemir Bendine, conforme a Folha de S.Paulo revelou.

Um grupo de funcionários do banco entrou com uma representação no MPF, questionando a lisura do empréstimo tomado pela empresa Torke Empreendimentos, propriedade de Val.

A Justiça Federal ordenou ao BB que apresente os documentos sobre empréstimos feitos à socialite desde 2009. A instituição tem cinco dias para justificar a movimentação financeira.

Enquanto espera o material, o MPF informa que "os procuradores requerem à Polícia Federal que aprofunde as investigações".

À Folha, no passado, Bendine negou ter participado da concessão do empréstimo. Ele classificou como "coincidências" ter ficado hospedado no mesmo hotel que Val em duas ocasiões.

Por causa desse episódio, que veio à tona em 2014, Bendine quase saiu da presidência do Banco do Brasil.

Outra denúncia que pesa contra o novo comandante da Petrobras foi feita por um ex-motorista do Banco do Brasil. Sebastião Ferreira da Silva declarou ao MPF que diversas vezes efetuou pagamentos em dinheiro vivo por ordem de Bendine.

Desconfiança do mercado

A opção da presidente Dilma Rousseff por Bendine para a presidência da Petrobras foi vista com desconfiança pelo mercado.

Como é próximo ao PT, ele não é considerado um executivo capaz de blindar a estatal de corrupção e aumentar a eficiência interna.

Dilma mais uma vez ignorou a recomendação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que desejava ver Henrique Meirelles na vaga deixada por Graça Foster.

O ex-presidente do Banco Central na gestão Lula é muito bem acolhido por empresários, mas não conta com a menor simpatia de Dilma.