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06/02/2015 10:11 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Inflação do Brasil tem alta de 1,24% em janeiro, ultrapassa teto da meta e é a maior desde 2003

Montagem/Estadão Conteúdo

A inflação do Brasil, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), fechou janeiro com alta de 1,24%, ante uma variação de 0,78% em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta sexta-feira (6). Trata-se da maior alta desde fevereiro de 2003 (+1,57%), no início do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Com isso, em 12 meses, o IPCA acumulou avanço de 7,14% até janeiro, depois de ter encerrado 2014 com 6,41%, superando em muito o teto da meta do governo de 4,5%, com margem de 2 percentuais para mais ou menos.

O resultado ficou dentro do intervalo das estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de uma taxa de 1,10% a 1,35% e levemente abaixo da mediana, de 1,25%. Com o resultado, a taxa acumulada em 12 meses ficou em 7,13%, acima do teto da meta estipulada pelo governo, de 6,5%.

Os ‘vilões’ da inflação brasileira

Os preços administrados e os alimentos começaram o ano de 2015 pressionando o bolso dos consumidores. Tarifas de energia elétrica, ônibus urbano e cigarros registraram fortes reajustes em janeiro. Além disso, a sazonalidade provocou uma disparada nos preços de hortaliças e legumes.

Os aumentos nas mensalidades escolares também contribuíram positivamente para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que subiu 1,73% no mês passado no âmbito do Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna (IGP-DI). A taxa é mais do que o dobro do resultado de dezembro (0,75%).

Ao todo, seis das oito classes de despesas aceleraram na virada do mês, segundo a Fundação Getulio Vargas (FGV). Apesar disso, o índice de difusão, que mede a proporção de itens com taxa de variação positiva, foi de 70,71% em janeiro, ante 72,19% no mês anterior.

A contribuição de maior magnitude para o resultado partiu do grupo Habitação (0,70% para 2,01%). Nesta classe de despesa, a tarifa de eletricidade residencial avançou 9,41% em janeiro, contra alta de 2,65% em dezembro.

Também ganharam força os grupos Transportes (0,66% para 2,39%), Educação, Leitura e Recreação (0,89% para 4,15%), Alimentação (1,06% para 1,64%), Despesas Diversas (0,20% para 1,96%) e Comunicação (0,49% para 0,52%). Nestas classes de despesa, as maiores pressões partiram de tarifa de ônibus urbano (0,43% para 9,18%), cursos formais (0,00% para 9,19%), hortaliças e legumes (4,46% para 13,32%), cigarros (-0,07% para 3,34%) e mensalidade para TV por assinatura (-0,31% para 1,64%), respectivamente.

Em contrapartida, desaceleraram Vestuário (0,72% para -0,44%) e Saúde e Cuidados Pessoais (0,52% para 0,30%). Na primeira classe de despesa, as roupas ficaram 0,79% mais baratas, após aumento de 0,94% em dezembro. Na segunda, artigos de higiene e cuidado pessoal tiveram queda de 0,94% nos preços em janeiro, após aumento de 0,24% um mês antes.

Construção

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) registrou, em janeiro, alta de 0,92%, bem mais do que a alta de 0,08% verificada em dezembro. A aceleração partiu tanto do índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços (0,18% para 0,97%) quanto do custo da Mão de Obra (0,00% para 0,87%).

(Com Estadão Conteúdo e Reuters)