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05/02/2015 09:55 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Tesoureiro do PT João Vaccari Neto encabeça lista de mandados da nona fase da Operação Lava Jato da Polícia Federal

Montagem/Estadão Conteúdo

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quinta-feira (5) a nona fase da Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na Petrobras que envolve pagamento de propina de empreiteiras a partidos políticos. Estão sendo cumpridos 62 mandados judiciais – um de prisão preventiva, três de temporária, 18 de condução coercitiva (quando a pessoa é liberada após prestar depoimento) e 40 de busca e apreensão.

Os mandados são cumpridos nos Estados de São Paulo, do Rio de Janeiro, da Bahia e de Santa Catarina. Oficialmente, os nomes dos alvos não foram divulgados, mas sabe-se que um dos que serão conduzidos pela PF é o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Ele será obrigado a prestar depoimento e será liberado logo em seguida.

O tesoureiro do PT foi citado em depoimentos da Operação Lava Jato, entre eles os prestados pelo doleiro Alberto Youssef, como operador do esquema de corrupção na Petrobras, que envolvia repasses de recursos desviados de grandes obras da estatal para o partido.

Segundo as investigações, Vaccari também operaria no fundo de pensão Petros, alvo do esquema. A PF descobriu também que a cunhada do petista, Marice Lima, foi destinatária de recursos da empreiteira OAS, envolvida no escândalo de corrupção. Desde que seu nome foi mencionado nas investigações, Vaccari nega qualquer relação com esquema de desvio na estatal e que os valores recebidos pelo PT foram declarados aos órgãos competentes.

A nova fase da Lava Jato conta com cerca de 200 policiais federais, com apoio de 25 servidores da Receita Federal. Esta fase é fruto da análise de documentos e contratos apreendidos anteriormente pela PF. Também contribuíram para esta nova etapa da operação as informações oriundas da colaboração de um dos investigados, além da denúncia apresentada por uma ex-funcionária de uma das empresas investigadas.

Os envolvidos poderão responder, na medida de suas participações individuais, pelos crimes de fraude a licitação, corrupção ativa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

DISCRIMINAÇÃO DOS MANDADOS POR ESTADO

SP – 10 mandados de busca e 2 de condução coercitiva (todos na Capital);

RJ – 12 mandados de busca, 8 de condução coercitiva e 1 de prisão preventiva (todos na Capital);

BA – 2 mandados de busca e 1 de condução coercitiva (todos na Capital);

SC – 16 mandados de busca, 7 de condução coercitiva e 3 de prisão temporária nas seguintes cidades:

• Itajaí - 8 mandados de busca, 5 de condução coercitiva e 2 de prisão temporária;

• Balneário Camboriú - 3 mandados de busca, 1 de prisão temporária e 1 de condução coercitiva;

• Piçarras - 2 mandados de busca;

• Navegantes - 1 mandado de busca e 1 mandado de condução coercitiva;

• Penha - 1 mandado de busca;

• Palmitos - 1 mandado de busca.

'My Way'

A nona fase da Operação Lava Jato foi batizada pela Policia Federal de "My Way" (Meu Jeito), em referência a como um dos delatores do esquema, Pedro Barusco, se referia ao ex-diretor da Petrobras na área de Serviços, Renato Duque, acusado de participar do esquema de corrupção na empresa.

As informações de Barusco sobre o esquema de corrupção na diretoria de Duque somadas à de uma nova testemunha ligada a uma fornecedora da petroleira foram fundamentais para a investigação iniciada nesta nova fase. Apesar da homenagem, o jornal O Estado de S. Paulo apurou que Duque não é alvo dos mandados cumpridos hoje.

Um dos maiores sucessos de Frank Sinatra, a música "My Way" (Meu Jeito) parece ser a crônica, transposta para versos, da Operação Lava Jato. Na primeira estrofe, a canção anuncia: "E agora o fim está próximo / E eu encaro a cortina final". A música também evoca uma das principais características da Lava Jato, marcada por inúmeras delações premiadas: "Arrependimentos, eu tive alguns", cantou Sinatra. "Teve horas / Eu tenho certeza de que você sabe / Quando eu mordi mais do que podia mastigar", prossegue "My way", composta por Paul Anka, Jacques Reveaux e Claude François.

Pedro Barusco era gerente-executivo da Diretoria de Serviços, espécie de número dois do ex-diretor Renato Duque. No decorrer das investigações, Barusco fez delação premiada e concordou em devolver US$ 100 milhões, desviados por meio do esquema de corrupção na Petrobras. O ex-gerente confessou ter recebido propina em mais de 60 contratos da estatal, juntamente com Duque, entre eles os firmados com grandes empreiteiras que tocavam obras de refinarias. Das comissões recebidas, US$ 22 milhões seriam provenientes da SBM Offshore, empresa holandesa que aluga plataformas e tem negócios de US$ 27 bilhões com a companhia petrolífera.

Nos relatórios internos da Petrobras, concluídos em novembro, Barusco e Duque são responsabilizados por diversas irregularidades em obras, entre elas a elevação dos custos da Refinaria de Abreu e Lima, em Pernambuco, cujo orçamento saltou de cerca de R$ 4 bilhões para R$ 24 bilhões. Parte do superfaturamento alimentou o esquema de corrupção, segundo a Lava Jato.

Entenda o caso e suas fases

A PF deflagrou a Operação Lava Jato com o objetivo de desarticular organizações criminosas responsáveis por desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro em larga escala. Confira abaixo as fases anteriores da Operação Lava Jato:

1ª fase (17/03/2014) – PF deflagra a Operação Lava Jato em sete estados e cumpre 130 mandados judiciais;

2ª fase (20/03/2014) – PF cumpre 6 mandados de busca e 1 de prisão temporária;

3ª fase (11/04/2014) – PF cumpre 16 mandados de busca, 3 de prisão temporária e 6 de condução coercitiva;

4ª fase (11/06/2014) – PF cumpre 1 mandado de busca e 1 mandado de prisão preventiva;

5ª fase (01/07/2014) – PF cumpre 7 mandados de busca, 1 de prisão temporária e 1 de condução coercitiva;

6ª fase (22/08/2014) – PF cumpre 15 mandados de busca e 1 de condução coercitiva;

7ª fase (14/11/2014) – PF cumpre 49 mandados de busca, 6 de prisão preventiva, 21 de prisão temporária e 9 de condução coercitiva;

8ª fase (14/01/2015) – PF cumpre 1 mandado de prisão preventiva.

(Com Estadão Conteúdo)