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05/02/2015 22:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:53 -02

Cientistas descobrem forma de 'resetar' relógio biológico

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Sabe quando você viaja de avião entre dois fusos horários muito distantes e fica meio descompensado? Isso acontece porque o jet lagdetona o nossos ritmos circadianos, aquele ciclo interno de nosso corpo que nós comumente chamamos de relógio biológico.

Em um artigo publicado na Nature Neuroscience de fevereiro, pesquisadores da Universidade de Vanderbilt descreveram uma forma de "resetar" o ritmo circadiano em ratos. Isso pode resultar em tratamentos para a insônia, para a depressão e para outros distúrbios do relógio biológico.

"É a primeira vez que conseguimos controlar os neurônios do relógio biológico", disse um dos pesquisadores, Jeff Jones, em comunicado escrito.

Como assim?

Os ritmos circadianos (do latim, "circa diem") do nosso corpo se baseiam em um ciclo de cerca de 24 horas, definido principalmente pelas variações de luminosidade do dia e da noite.

É com base nele que nosso corpo vai liberando e produzindo os hormônios que definem a que horas estaremos mais animados ou cansados, mais atentos ou dispersos, ou até mesmo quando sentiremos mais ou menos dor.

O mestre de bateria que coordena essa sinfonia de ritmos é um conjunto de neurônios localizado no núcleo supraquiasmático, localizado no hipotálamo.

Os pesquisadores da Universidade Vanderbilt relataram que, manipulando essas células de modo a desligá-las ou ligá-las, foi possível redefinir os ritmos circadianos de ratos, resetando seu ciclo de sono. Os ratinhos foram escolhidos porque têm um relógio biológico muito próximo dos humanos, mas invertido: eles acordam à noite e dormem de dia.

Como funcionou o processo?

Os cientistas utilizaram uma técnica chamada optogenética.

Funciona mais ou menos assim: genes que fazem com que uma célula se torne sensível à luz são inseridos dentro de populações de neurônios, programando-os para acelerar ou suprimir suas atividades na presença de luminosidade.

Depois, teias de fibra ótica são implantadas no cérebro, para transmitir feixes de luz para essas áreas.

Assim, controlar a atividade dos neurônios se torna um processo semelhante a ligar ou desligar um interruptor: feixes de laser ativam as células, e a escuridão as desativa.

Os autores do artigo acreditam que a optogenética pode, no futuro, ser utilizada para curar vários distúrbios psicológicos, como a depressão sazonal.