COMPORTAMENTO
03/02/2015 10:44 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

9 razões muito boas para não guardar rancor

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O ser humano é uma espécie que se preserva muito. Quando somos injustiçados, queremos que o mundo tome conhecimento. Queremos que a parte responsável pague por seus erros. Queremos que outros humanos sejam responsabilizados por seus atos prejudiciais. Isso é tão ruim assim?

Para responder em termos simples: sim.

As razões para guardar aquele ressentimento no coração podem lhe parecer válidas: você se sentiu incrivelmente magoado, a pessoa que errou merece sentir sua raiva, você é de Leão, isso faz parte de sua natureza. Mas será que a outra pessoa ou as ações dela realmente justificam você prejudicar sua própria saúde?

Gandhi disse certa vez: “O perdão é atributo dos fortes”. É preciso muita coragem para deixar para trás uma experiência dolorosa que outra pessoa lhe impôs. Mas, se você deixar a raiva ir embora, estará fazendo bem a você mesmo de várias maneiras. Veja a seguir dez razões por que é melhor perdoar que guardar ressentimento.

Guardar ressentimento pode fazer mal ao seu coração.

Apegar-se a emoções de ira pode cobrar um preço alto de sua saúde física. Um estudo publicado pela American Heart Association (Associação Americana de Cardiologia) sugere que altos níveis de ira podem elevar o risco de doença cardíaca coronária, especialmente em homens mais velhos. Reprimir esses sentimentos pode elevar sua pressão, informou a Men’s Health em 2013.

Manifestar raiva pode causar impressão forte sobre crianças.

As crianças pequenas moldam seu comportamento naquilo que as cerca, e especialmente quando se trata de hostilidade e raiva. Segundo um estudo publicado no periódico Cognitive Development, os bebês não apenas percebem a raiva no ar como adaptam seu comportamento a ela. E mais: mesmo as crianças muito pequenas têm memória longa – pesquisadores constataram que crianças de 2 ou 3 anos são capazes de identificar pessoas que tendem a ser raivosas, baseadas em explosões de raiva anteriores.

Mesmo um episódio curto de raiva pode ter implicações para a saúde.

Guardar raiva dentro de você pode ameaçar seu bem-estar, mas mesmo uma explosão breve de raiva pode ter o mesmo efeito. Um estudo da Escola Harvard de Saúde Pública constatou que os sujeitos têm risco cinco vezes maior de ataque cardíaco e três vezes maior de derrame cerebral nas duas horas seguintes a uma explosão de raiva.

A raiva prejudica sua saúde mental.

As situações incômodas tendem a ocupar muito espaço em nossa mente, levando-nos a uma espiral de pensamentos que pode afetar nossa saúde mental. A ira exacerba a ansiedade e o estresse, e, como explicou a psicóloga Laura L. Hayes, Ph.D., apegar-se a essa emoções hostis pode manifestar-se em algo mais perigoso.

“A ira nos prepara para lutar. Ela ajudou nossos ancestrais a sobreviver, mas, no mundo tecnológico complexo de hoje, muitas vezes atrapalha mais do que ajuda”, ela escreveu em um blog da Slate no ano passado. “Quando mais furioso você está, menos claramente consegue pensar; logo, menor será sua capacidade de negociar, de olhar as coisas sob nova ótica ou de lidar com uma provocação de maneira eficaz.”

A raiva pode estar associada ao surgimento da diabete do tipo dois.

De acordo com dados divulgados pelos Institutos Nacionais de Saúde, a ira tem o potencial de levar à diabetes, por fomentar comportamentos de risco à saúde.

Embora não exista vínculo direto entre temperamento e risco subsequente de diabetes, ainda houve algumas constatações interessantes. No estudo, as pessoas com os níveis mais altos de ira tiveram risco 34% mais alto de desenvolver a diabetes, comparada com as pessoas de temperamento mais calmo. Os pesquisadores descobriram que os raivosos crônicos têm tendência maior a fumar e a ter uma ingestão calórica alta, dois fatores que podem levar ao surgimento da diabetes do tipo dois.

Aferrar-se a sentimentos de rancor pode causar estresse.

Já é frustrante viver uma situação complicada. Não deixar a frustração evaporar mais tarde pode causar dano ainda maior. A amargura e a raiva podem provocar níveis mais altos de estresse e elevar o ritmo cardíaco. Qual é o antídoto? O perdão. Pesquisas sugerem que perdoar os outros (e a si mesmo) reduz as respostas de estresse fisiológico.

Libertar-se de um ressentimento o colocará para cima.

Apegar-se a um sentimento de rancor pode fisicamente colocar você para baixo. Em um experimento publicado no periódico Social Psychology and Personality Science, pesquisadores pediram a 160 universitários que recordassem um momento de conflito em que estiveram envolvidos e então participassem de um exercício de saltos físicos. Aqueles que pensaram em praticar o perdão saltaram mais alto. Isso sugere que o rancor pode pesar sobre você, e não apenas de modo mental.

Esquecer um ressentimento o ajudará a dormir melhor.

Quem é que não quer dormir melhor? Em vez de ficar se debatendo na cama, repassando na cabeça as coisas que o deixaram aflito e contando carneirinhos, procure praticar um pouco de perdão. Um estudo de 2005 descobriu que os sujeitos que esqueceram seus ressentimentos viram sua qualidade do sono melhorar, entre outros efeitos benéficos.

O perdão fortalece nossos vínculos sociais.

Mesmo seus relacionamentos são beneficiados se você deixa um ressentimento ir embora (e, como sabemos, nossos entes queridos são essenciais para vivermos bem). Parte do perdão consiste em pedir perdão, algo que requer um pouco de modéstia. E esse senso de humildade pode fortalecer seus relacionamentos. Pesquisas mostram que o perdão em um relacionamento pode levar as duas partes a rever suas metas e melhorar a qualidade da relação.

Para citar uma das canções mais populares do ano passado, o melhor é simplesmente “let it go” (deixar ir embora).

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.