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02/02/2015 17:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Fotografando o céu noturno, um guia para o iniciante da astrofotografia

Tahira Mirza

A astrofotografia pode acabar intimidando o fotógrafo iniciante, especialmente se você não sabe bem por onde começar.

Será que preciso de um telescópio? Que tipo de câmera preciso ter? Todas essas são ótimas perguntas que você deve estar se perguntando.

Você precisa sentir-se à vontade usando a sua câmera e suas funções, então uma só marca não funciona para todo mundo.

Se possível, gaste um tempo testando diferentes modelos, porque nem todos produzirão o mesmo resultado, obviamente.

Fazer uma lista do resultado que você deseja obter das suas imagens vai ajudá-lo a ter uma boa noção das funções que você precisará, e assim ficará mais fácil definir a marca da câmera.

Mas é possível conseguir fotos incríveis de paisagens estelares como essas abaixo sem usar um telescópio.

O fotógrafo profissional Andrew Whyte vem tirando fotos impressionantes de astrofotografia como essas há vários anos. Usando exposição prolongada ele também dominou a arte de 'mesclar a luz' em suas fotos.

O segredo para conseguir uma imagem de noites estreladas de tirar o fôlego obviamente requer escuridão e uma câmera com alto potencial ISO. Andrew nos deu um guia sobre como fotografar no escuro e obter ótimos resultados.

Se você está em uma área poluída de iluminação como tente achar a área mais escura possível, quem sabe em um parque ou qualquer lugar longe das luzes de rua.

Nós nos aventuramos pela Ilha de Man, no Reino Unido, que tem 26 locais de céus escuros equipados com uma Sony A7s, que Andrew afirma lhe oferecer a melhor qualidade para as suas astrofotografias.

"Não há praticamente nada no mercado que se compara ao desempenho do sensor do A7s, possivelmente um modelo recente da Nikon, mas custando praticamente duas vezes mais." A A7s tem um variação de ISO fenomenal de 50 a 409600 com ruído ultra-baixo.

Além da sua câmera, veja a seguir mais algumas coisas que não podem faltar antes que você

comece a fotografar:

Um tripé robusto - necessário quando se faz fotos de exposição prolongada

Uma boa lanterna - isso lhe ajudará a encontrar um ponto focal

Pilhas/bateria - caso a sua lanterna apague

Roupas confortáveis - no frio ou no calor

Uma garrafa térmica com algo para beber - Vai ajudar muito na sua espera entre as fotos

Como iniciante é normal que encontre alguns percalços, sem falar que o clima contribui bastante para o resultado final das suas fotos, então seja paciente e não desista.

Como muitos de vocês não tiveram a sorte de ter um fotógrafo profissional para lhe ajudar como nós tivemos, Andrew prontificou-se a responder algumas das perguntas mais importantes sobre como solucionar problemas que o fotógrafo de primeira viagem pode enfrentar e deu também algumas dicas para achar lindas paisagens estelares como as que vemos aqui.

Primeira parada - Mina de Foxdale, Ilha de Man, Esquerda: Segunda parada - Casa abandonada em Langness, na Ilha de Man

Nós tivemos a sorte de conseguir algumas fotos boas, considerando que havia um quantidade razoável de nuvens em algumas partes, então vale a pena checar a previsão meteorológica antes de se preparar para sair.

  • Tahira Mirza/https://twitter.com/tahiramirza1
    'Mais tarde o céu limpou e nos permitiu uma última visualização das estrelas. Um pouco de luz colorida surgiu no primeiro plano, ajudando a dissipar as sombras. Essa é uma das duas fotos em que eu usei o Photoshop, para mesclar a luz verde do primeiro plano com a laranja'. - Andrew Whyte
  • Andrew Whyte/https://twitter.com/LongExposures
    'O que mais me impressionou foi como a lente (35mm f/2.8) manteve a definição precisa até nos cantos, sem evidência de "coma da lente", mesmo quando foi usada a configuração da abertura mais larga'. - Andrew Whyte
  • Tahira Mirza/https://twitter.com/tahiramirza1
    'Nesse momento, as nuvens estavam consumindo a maior parte da luz das estrelas, então frames curtos, de 30 segundos certamente acabariam mostrando um céu escuro e vazio. Resolvemos então acionar as câmeras durante 4 minutos o que nos permitiu bastante tempo - e um propósito - para fazer arte com iluminação. A esfera - geralmente chamada de "Órbita da Lente" - foi criada com uma barra de luz LED Lenser e as outras trilhas de luz foram feitas com um fio de luzes de LED'. - Andrew Whyte
  • Libby Plummer/https://twitter.com/LibbyPlummer
    'O obturador ficou aberto durante praticamente dois minutos, diferente da configuração de 30 segundos que normalmente usamos à noite. A exposição mais prolongada fez com as estrelas começassem a deixar rastros. Apesar disso, você perceberá que a imagem não ficou mais clara - a velocidade quadruplicada do obturador (de 30 segundos para quase 120 segundos) foi compensada pela redução recíproca da velocidade ISO, de 6400 para 3200 e depois para 1600 para manter o mesmo valor final de exposição'. - Andrew Whyte
  • Rebecca May/https://twitter.com/bexlectric
    'Possivelmente a melhor captura da noite, do arco visível da nossa Via Láctea, surgindo pelo meio do quadro. Isso se deve parcialmente à temporização (essa foi uma das primeiras fotos da noite, e a presença da lua é mínima, começando a aparecer atrás do prédio da direita da mina, espalhando cor na horizonte distante) mas também por conta da escolha de lente, com a grande angular permitindo a inclusão de uma boa porção do céu sobre as estruturas'. - Andrew Whyte
  • Trevor Davies/https://twitter.com/trevadavies
    'Uma foto abstrata interessante do céu com nuvens passageiras. É fácil imaginar uma cena quando há um elemento em primeiro plano e você quer capturar uma nuvem passando por uma parte específica do quadro para completar a composição. O desempenho da A7s com pouca luz oferece um flexibilidade incomparável no controle da quantidade de movimento da nuvem que você quer capturar.' - Andrew Whyte
  • Libby Plummer/https://twitter.com/LibbyPlummer
    'Isso é fantástico para uma ideia do que acontece por trás dos bastidores, mostrando os tripés montados e os fotógrafos trabalhando. O céu acima das estruturas não é tão vasto, como a lente nesse caso tem um campo de visão um pouco mais estreito. Outro aspecto interessante dessa imagem é a aparente inversão da nuvem, onde do nosso ponto de vista em cima do morro, a ilha à nossa frente está abaixo da nuvem (por isso a área escura abaixo da faixa amarelada luminosa gerada pelo pôr da lua)'. - Andrew Whyte
  • Rebecca May/https://twitter.com/bexlectric
    'Eu realmente gosto da textura enrugada das nuvens no lado inferior esquerdo dessa foto, as poucas luzes da rua distantes que acrescentam cor e textura ao movimento delas'. - Andrew Whyte
  • Andrew Whyte/https://twitter.com/LongExposures
    'O segundo resultado que contou com uma edição no Photoshop ao invés de simplesmente usar o Lightroom. Processei o arquivo RAW de duas maneiras diferentes - primeiro, para otimizar o céu, depois para extrair detalhes dos prédios. Depois foi bem fácil usar um máscara para eliminar as áreas indesejáveis de cada camada. Como respeito à iluminação, tento sempre demonstrar profundidade iluminando um sujeito de forma a manter as área de sombra - a A7s lida muito bem com esses contrastes extremos de claro & escuro'. - Andrew Whyte
  • Tahira Mirza/https://twitter.com/tahiramirza1
    'Quando eu achei que não teria mais o que falar sobre essas imagens semelhantes eu me dei conta das configurações para essa foto. Por um momento meus olhos ficaram alternando entre a imagem em si e a tela que me mostrava as configurações. De alguma forma, essa foto foi tirada com o ISO16000(!) e ainda assim manteve uma qualidade bastante respeitável da imagem. Para contextualizar melhor, lembro que o consenso é que o ponto de partida otimizado para fotografar a Via Láctea é ISO3200 durante 30 segundos. Com as configurações usadas nessa imagem, seria possível conseguir uma imagem com a mesma luminosidade e qualidade em apenas 6 segundos. Para o astrofotógrafo sério, isso representa um aumento de produtividade potencialmente enorme'. Andrew Whyte- Andrew Whyte
  • Tahira Mirza/https://twitter.com/tahiramirza1

DICAS ÚTEIS:

Tivemos algumas dificuldades para montar o equipamento no começo. Como evitar isso quando se é iniciante?

‘Quando se é iniciante, sempre será necessário gastar um tempinho para se acostumar com a câmera e as combinações de lentes se você não as conhece bem - sempre é útil para os iniciantes se acostumarem com a câmera de dia ao invés de tentar fazê-lo à noite, totalmente no escuro, na ventania de uma encosta!

Geralmente, os iniciantes da fotografia noturna/astrofotografia enfrentam problemas com acertar o foco no escuro, tirar uma foto nítida e acertar o tempo de exposição.

Esses problemas pode ser vencido usando uma lanterna para ajudar a definir o foco, ou mesmo configurar a câmera enquanto ainda há um pouco de luz - isso pode fazer toda diferença.

A estabilidade do tripé e as funções da câmera/Estabilização de Imagem da lente/Redução de Vibração são fatores essenciais que contribuem para uma imagem nítida. Certifique-se de que o tripé esteja travado para cada quadro de movimento e desligue totalmente qualquer configuração IS/VR para obter os melhores resultados.

Se possível, use um disparador ou temporizador remoto/a cabo para acionar a câmera, para que ela não se mova ou fique desestabilizada no começo de uma exposição. Acertar a exposição fica mais fácil à medida que você adquire experiência, mas ela ainda está sujeita à visão e sensação que o fotógrafo quer obter, então o melhor é ter a tela como referência da prévia da imagem para cada foto.

No entanto, graças à força do sensor, o sistema 'live view' da Sony A7s oferece uma ótima ideia de como a foto finalizada ficará, antes mesmo de ser tirada. Os sistemas 'ao vivo' da Canon ou Nikon que já usei não oferecem a mesma potência'.

Se você mora na cidade onde há poluição de iluminação, o que você sugerem para obter os melhores resultados?

'A poluição de iluminação será o seu principal desafio, mas a qualidade do ar também irá infulir. Para vencer os dois desafios, vá para alguns dos parques em Londres, pois eles geralmente são locais mais escuros e silenciosos: O Regents Park tem encontros frequentes de astronomia, enquanto os parques de Greenwich, Clapham Common e Primrose Hill todos oferecem visualização celeste ampla em noites sem nuvens. A consideração estética é o que deseja destacar em primeiro plano, então esses locais são mais propícios à uma profundidade maior através de um telescópio do que apenas do campo de visão. A não ser que haja um grande apagão, é pouco provável que você consiga visualizar a Via Láctea mesmo na região mais escura de Londres, mas é possível fotografar rastros de estrelas na capital'.

Quais os benefícios de usar essa câmera acoplada a um telescópio?

'No meu entendimento da técnica do uso da câmera acoplada a um telescópio, existem dois benefícios distintos com o uso da A7s, como uma câmera de desempenho excepcional em ambientes com pouca luz. Primeiro, o benefício geral para a astrofotografia é que ela produz arquivos bem limpos, com pouco ruído e uma variedade dinâmica generosa, mesmo com níveis mais altos de ISO. A amplitude dinâmica é usada para descrever a diferença entre as áreas mas claras e mais escuras de uma imagem; a A7s captura detalhes melhor do que média entre esse dois pontos, fazendo com que a imagem final seja mais uniforme e oferecendo mais espaço para edição.

Segundo, uma das principais coisas que você está tentando fazer, principalmente quando estiver fotografando através de um telescópio para maior profundidade astronômica, é contrapor o movimento das estrelas introduzido pela rotação terrestre - isso se consegue usando o menor tempo de exposição possível (mas capturando a mesma imagem repetidas vezes, para depois 'empilhá-las'). Como a A7s tem habilidades excepcionais de captura de luz, ela consegue juntar os arquivos mais limpos no menor período de tempo'.

Quais são as melhores configurações para conseguir fotografar rastros de estrelas?

'A primeira coisa que tenho a dizer sobre rastros de estrelas é que elas podem ser fotografadas em uma variedade bem maior de locais do que a Via Láctea. É melhor começar com uma boa abertura (digamos, f/2.8) e um ISO médio (talvez 400). Faça uma imagem teste de 15 segundos com essa configuração. Se ficar escuro demais, aumente apenas o ISO para 800 e repita o teste por 15 segundos. Se o quadro original ficou claro demais, reduza o ISO para 200 e repita. Deixe a abertura em f/2.8 mas continue ajustando o ISO (mín. 200 máx. 1600) depois a velocidade do obturador (mín. 8 segundos máx. 30 segundos) até que você descubra a configuração correta de exposição. Trave o obturador na posição aberta com um disparador a cabo para tirar um sequência de quadros. Depois você pode editar todas as fotos e juntá-las em um software. StarStaX é um ótimo software gratuito, multi-plataforma que permite criar uma única imagem de rastro estelar de vários JPGs'.

Veja mais do trabalho de Andrew Whyte no site www.longexposures.co.uk, e em seus perfis do Twitter e Flickr.

Veja mais informações sobre a Sony A7s aqui.

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Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.