Esta mulher toma antidepressivo e está twitando ao vivo sua busca por um orgasmo

Crista Anne Orenda é blogueira, mãe de quatro filhos e educadora sexual. Ela também se descreve como uma pessoa que ama o prazer do sexo – e diz que ficou muito decepcionada ao descobrir que não conseguia mais atingir o orgasmo quando começou a tomar um novo tipo de antidepressivo.

“Saí deprimida do útero, como a maioria da minha família”, diz a escritora, conhecida como Crista Anne, ao Refinery29. “Olhando pra trás, não consigo pensar em uma época em que não tenha usado a masturbação como uma maneira de combater a depressão ou a ansiedade.”

Para voltar a sentir o que lhe aliviava, Crista Anne começou a #OrgasmQuest (busca do orgasmo) em 19 de dezembro. A ideia é descrever sua jornada até o orgasmo por meio da masturbação. Amigos de empresas como Good Vibrations, SheVibe e Tantus ofereceram patrocínio para a campanha e enviaram produtos que pudessem ajudá-la.

Até agora, a campanha tem sido um sucesso nas mídias sociais, com milhares de pessoas seguindo a hashtag #OrgasmQuest.

(Story continues below)

Ela também teve algum sucesso em sua busca.

“Tinha sensações prazerosas e nada mais. Agora sinto as contrações vaginais e o tremor nas pernas que associo ao orgasmo”, disse ela ao Huffington Post. “Meu cérebro ainda não reconhece nem sente os picos intensos de prazer com que estou acostumada, mas é um progresso e tanto!”

A incapacidade de Crista Anne de atingir o orgasmo durante o tratamento com antidepressivos não é incomum.

“Você precisa de neurotransmissores como dopamina e serotonina [para ter orgasmos]”, diz Lauren F. Streicher, autora de Sex Rx (sexo com receita, em tradução livre). “O que acontece é que esses mesmos neurotransmissores afetam a depressão. Se você olhar para os antidepressivos mais comuns, o que eles fazem é alterar os níveis de dopamina e serotonina do seu organismo, o que tem impacto na libido e no orgasmo.”

Crista Anne toma inibidores de reabsorção seletiva de serotonina (SSRI, na sigla em inglês) praticamente a vida inteira. Ela disse que começou a tomar Prozac aos 9 anos e vem tomando um novo remédio há cerca de três meses. Apesar de ser o primeiro medicamento que dificulta seus orgasmos, ela afirma que nunca foi tão feliz.

“Estou curtindo estar viva pela primeira vez, e tenho 32 anos. Levanto da cama, tenho expectativas em relação ao meu dia e ao resto da minha vida”, disse ela. “São sensações que eu não tinha antes. Amo esse remédio, vou continuar com ele enquanto estiver funcionando.”

Streicher disse ao HuffPost que o orgasmo volta para 30% dos pacientes depois de três ou quatro meses de tratamento. Se isso não acontecer, ela sugere conversar com um médico sobre uma eventual troca ou diminuição da dose.

Crista Anne espera que sua busca pelo orgasmo gere um diálogo importante.

“Quero colocar os holofotes nesse assunto. Dizer para o mundo que vale a pena falar de sexualidade, doenças mentais, efeitos colaterais dos remédios e todas essas coisas que têm impacto na nossa vida”, disse ela ao BuzzFeed. “Vejo isso acontecendo todos os dias, e tenho muito orgulho.”

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.