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01/02/2015 01:16 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Sem Sarney e Suplicy, Senado de maioria masculina e nas mãos do PMDB dá neste domingo posse a novos parlamentares

Montagem/Estadão Conteúdo

Figuras constantes há décadas, José Sarney (PMDB-AP) e Eduardo Suplicy (PT-SP) não estarão presentes na cerimônia de posse para a nova legislatura 2015-2019 no Senado Federal, em Brasília, marcada para as 15h deste domingo (1º). Ambos não foram reeleitos em uma Casa que teve apenas um terço de renovação, em um total de 81 cadeiras.

O comando do Senado seguirá nas mãos do PMDB, que elegeu cinco senadores nas últimas eleições e conta com a maior bancada – 19 parlamentares. O partido indicou Renan Calheiros (PMDB-AL) para o cargo na sexta-feira.

Entre as demais siglas, PSDB e PDT elegeram quatro senadores cada, enquanto DEM e PSB ganharam três vagas, PT, PSD e PTB ficaram com duas, e PP e PR tiveram um eleito cada, com base nas eleições do ano passado. Dos 27 novos nomes, 22 são homens e apenas cinco são mulheres.

Quanto à cerimônia de posse, ela será bem simples, segundo o secretário-geral adjunto da Mesa Diretora do Senado, João Pedro Caetano.

“É um evento relativamente rápido: um senador presta o compromisso, enquanto os outros senadores são apenas chamados para confirmar o compromisso. Eles são chamados de acordo com a ordem de criação dos estados. Logo em seguida, o presidente da sessão os declara empossados e é convocada nova reunião preparatória, na qual será eleito o presidente e depois, havendo acordo, a Mesa”, explicou.

Dos 27 senadores com mandato encerrado neste início de 2015, apenas cinco foram reeleitos. Outros dois - Alfredo Nascimento (PR-AM) e Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) - foram eleitos para a Câmara dos Deputados. Treze sequer concorreram, enquanto sete foram derrotados para outros cargos nas eleições de 2014 (incluindo aqui Eduardo Suplicy). O prenúncio de derrota fez José Sarney sequer se candidatar.

Disputa acirrada pode esquentar eleição

Encerrada a posse, será realizada a eleição da Mesa Diretora. Tradicionalmente, os partidos mais votados indicam representantes para compor a Mesa – composta pelo presidente, dois vice-presidentes, quatro secretários e quatro suplentes –, como um reflexo das urnas. Dono da maior bancada, com 19 senadores, o PMDB deve indicar o presidente.

Como se trata de uma nova legislatura, os membros da atual Mesa, desde que reeleitos ou ainda cumprindo seus mandatos, poderão concorrer novamente. Com isso, o atual presidente, Renan Calheiros, que tem mais quatro anos de mandato, poderá disputar o cargo mais uma vez.

A dúvida sobre a presença de Renan se deve à possibilidade de ele aparecer na lista de denunciados pelo Ministério Público Federal (MPF), com base nas investigações da Operação Lava Jato, que apura desvios de dinheiro e corrupção na Petrobras. É nisso que aposta Luiz Henrique para ser indicado pelo PMDB.

Mesmo se não receber apoio do partido, o ex-governador de Santa Catarina promete ir até o fim na sua candidatura. A busca por um nome na base aliada para contrapor o nome de Renan (preferido da presidente Dilma Rousseff e da base governista) é um desejo de partidos da oposição, como PSDB e DEM. Até o senador Aécio Neves (PSDB-MG) atuou nessa discussão. Já outro nome possível, o senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE) retirou a sua candidatura.

Quanto aos demais cargos, diferentemente da Câmara, a expectativa entre os senadores é pelo consenso. Ainda mais em uma Casa cuja média de idade dos parlamentares é de 58 anos.

“Acho que há espaço para entendimento e é possível que tenhamos uma chapa única distribuída de forma proporcional entre os partidos. Certamente nas próximas semanas, no entanto, é que deve se resolver a eleição nas comissões”, disse o secretário-geral da Mesa e diretor-geral do senado, Luiz Fernando Bandeira.

Às 15 horas de segunda-feira (2) e já com os comandos da Câmara e do Senado definidos, o Congresso Nacional vai se reunir para a abertura oficial dos trabalhos da nova legislatura, a de número 55, que vai se estender até janeiro de 2019. A sessão será solene e ocorrerá no Plenário da Câmara.

(Com Agência Senado e Agência Câmara)