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28/01/2015 15:26 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Violência contra jovens brasileiros apresenta pior índice desde 2005 e pode ceifar a vida de 42 mil até 2019

Cristiano Novaes/CPN/Estadão Conteúdo

Quarenta e dois mil jovens brasileiros entre 12 e 18 anos que não chegarão aos 19 se os atuais índices de violência forem mantidos. O dado é um dos mais alarmantes que compõem o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), divulgado na manhã desta quarta-feira (28) no Rio de Janeiro.

Os órgãos que formulam o Programa de Redução da Violência Letal contra Adolescentes e Jovens - a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef, na sigla em inglês), o Observatório das Favelas e o Laboratório de Análise da Violência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) - foram os responsáveis pelo levantamento.

O índice de mortalidade de jovens brasileiros nessa faixa etária é de 3,32 para cada mil. A taxa é de 2012 e é a pior desde 2005 - o aumento em relação a 2011 foi de 17%. Levando em conta os números ano após ano, a situação deve ser ainda pior em 2015.

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Dados por ano divulgados nesta quarta-feira no Rio (Reprodução/IHA)

De acordo com a pesquisa, 36,5% das mortes de adolescentes são causadas por homicídios, enquanto na população em geral o percentual é 4,8%.

Como esperado, os jovens negros são mais propensos a morrer antes dos 19 anos. A possibilidade de um jovem negro ser assassinado é 2,96 vezes maior do que a de um branco. Quanto ao gênero, os meninos correm risco 11,92 vezes superior ao das meninas.

A região mais perigosa do País para os jovens é a Nordeste, com índice de 5,97 mortes para cada mil jovens. O Sudeste aparece com os melhores resultados, 2,25. Entre as capitais, as cinco mais violentas para os adolescentes são: Fortaleza, Maceió, Salvador, João Pessoa e Belém. São Paulo tem índice de 1,62 (em cada mil) e o Rio, 2,06.

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Dados por região e cidades divulgados nesta quarta-feira no Rio (Reprodução/IHA)

Para mudar essa realidade, a Secretaria de Direitos Humanos anunciou a criação de um Grupo de Trabalho Interministral, que vai elaborar um Plano Nacional de Enfrentamento à Violência Letal de Crianças e Adolescentes.

O plano vai se inserir nas propostas do governo federal para assumir a responsabilidade pela segurança pública ao lado dos Estados e municípios.

(Com Estadão Conteúdo e Agência Brasil)

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