NOTÍCIAS
28/01/2015 12:41 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:52 -02

Diretor da Sabesp que falou sobre rodízio de 5 dias sem água é o que sugeriu canequinha e mandou população sair de SP em 2014

Montagem/Estadão Conteúdo e iStock

Nome: Paulo Massato Yoshimoto. Cargo: diretor metropolitano da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). Definitivamente, ele é a ‘pedra no sapato’ da condução pelo Palácio dos Bandeirantes da crise da água que atinge o Estado de São Paulo há mais de um ano.

A mais recente participação dele na crise aconteceu na última terça-feira (27). Em visita a Suzano, ao lado do governador Geraldo Alckmin, Massato disse que um racionamento de cinco dias sem fornecimento de água para a população paulista está no horizonte, caso não chova com constância e volume nos próximos meses.

“O cálculo conceitual, teórico, para reduzir 15 metros cúbicos por segundos no Cantareira precisaria de um rodízio de dois dias com água por cinco dias sem água. Se for necessário, para não chegar no zero na represa, não ter mais água nenhuma para distribuir, lá no limite, se as obras não avançarem na velocidade que estamos planejando, podemos correr esse risco de um rodízio drástico”, disse, em declarações reproduzidas pelo G1.

Naturalmente, as declarações criaram desconforto para a Sabesp e para o governo estadual – que passaram meses garantindo que não haveria racionamento, muito menos falta de água –, tanto que o presidente da companhia, Jerson Kelman, não quis falar em prazos para que tal medida venha a ser aplicada em 2015.

Acontece que a “transparência” de Massato já rendeu outras ‘pérolas’ no ano passado. A primeira foi durante uma audiência pública promovida pela Comissão de Política Urbana, Metropolitana e Meio Ambiente da Câmara Municipal, no dia 28 de maio. Na ocasião, o diretor negou a existência de qualquer tipo de racionamento ou rodízio na capital. E sugeriu que, se a crise se agravasse, a melhor medida seria “distribuir água com canequinha”.

“Nós já economizamos a retirada do Cantareira em 9.000 litros por segundo. Para obter o mesmo resultado seria necessário implantar rodízio de um dia e meio com água e cinco dias sem água. Se houver alguma crise maior, nós vamos distribuir água com canequinha. Porque não é possível ter alguma coisa mais drástica do que nós já estamos praticando”, afirmou Massato.

Pior foi o vazamento de dois áudios de uma reunião da cúpula da Sabesp, em 24 de outubro – na véspera das eleições do segundo turno –, nos quais a então presidente da companhia, Dilma Pena, e Massato fazem ponderações sobre a falta de transparência na comunicação da crise para o público. O material foi divulgado primeiramente pela Revista Fórum.

“Se voltar a repetir 2014, confesso que não sei o que fazer. Essa é uma agonia, uma preocupação. Alguém brincou aqui, mas é uma brincadeira séria. Vamos dar férias para os 8,8 milhões habitantes e falar ‘saiam de São Paulo’, tá certo? Porque aqui não tem água. Não vai ter água pra tomar banho, não vai ter água pra limpeza da casa. Quem puder compra garrafa, água mineral. Quem não puder, vai tomar banho na casa da mãe lá em Santos, Ubatuba, Águas de São Pedro... sei lá”, comentou.

Nos três casos, as palavras de Massato não foram endossadas plenamente por Alckmin ou pelo governo paulista. Por via das dúvidas, separe a canequinha a partir do fim de março, quando está previsto o colapso (caso não chova acima da média) do Cantareira.