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24/01/2015 19:29 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:47 -02

Paulistas devem sentir no bolso custos de crise hídrica

LUIS MOURA/ESTADÃO CONTEÚDO

A crise hídrica afeta comércio, indústria e agricultura em São Paulo, que já buscam opções e trabalham com cenários de racionamento. As alternativas representam custos adicionais para empreendedores e podem resultar em aumentos no preço final de mercadorias e serviços.

Um dos setores mais preocupados é o de bares e restaurantes. O repasse dos custos para o consumidor é praticamente certo, considera a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel). "O mínimo de adequação para a crise exigiu um investimento que era inesperado. No caso de bares e restaurantes, praticamente tudo o que aumenta custos acaba sendo repassado", afirma o presidente da entidade em São Paulo, Percival Maricato.

Nas redes de supermercados, entre as medidas adotadas estão os poços artesianos e a instalação de caixa d'água adicional. O diretor de Meio Ambiente da Associação Paulista de Supermercados, Maurício Cavicchiolli, comenta, porém, que em alguns casos é preciso recorrer ao caminhão-pipa, alternativa mais cara. Dono da rede São Vicente, ele conta que na sua rede alguns poços chegaram a secar e, para não atrapalhar o atendimento nas lojas, foi preciso usar os caminhões.

Para os shoppings, a prioridade é manter o atendimento. Segundo a Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce) muitos empreendimentos têm pedido autorização para cavar poços artesianos. Em último caso, o caminhão-pipa é acionado. O presidente da entidade, Glauco Humai, destaca que essas alternativas são custosas e podem elevar as taxas pagas por lojistas.

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) afirmou na sexta-feira que está orientando produtores para o uso consciente da água na irrigação. O anúncio foi feito após declarações de que o governo de São Paulo deverá restringir o uso da água na agricultura, em meio à grave crise de abastecimento.