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23/01/2015 09:36 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:46 -02

Cuba e EUA concluem primeiras conversas com diferenças sobre os direitos humanos

Montagem / Reuters

Cuba e Estados Unidos concluíram nesta quinta-feira (22) suas primeiras conversas oficiais com o desejo de seguir dialogando e avançar no restabelecimento de suas relações diplomáticas, apesar das diferenças em vários assuntos, entre eles os direitos humanos.

“Como elemento central de nossa política, pressionamos o governo cubano para que melhore as condições dos direitos humanos, entre elas a liberdade de expressão e de livre reunião”, afirmou a delegação americana em uma declaração entregue à imprensa.

A chefe da delegação cubana, Josefina Vidal, relatou que o termo “pressionar” não foi utilizado nas reuniões e que a discussão sobre direitos humanos foi “uma troca na qual cada parte confirmou suas posições e concepções” sobre os temas. “Cuba ratificou sua proposta de sustentar um diálogo específico em uma data a ser determinada para tratar, em nível de especialistas, nossos visões sobre este assunto”, afirmou Josefina em pronunciamento à imprensa ao término da última reunião do dia.

Acrescentou que Cuba reiterou a proposta que fez aos EUA há um ano, para sustentar um diálogo sobre direitos humanos e democracia “respeitoso e sobre bases de reciprocidade” porque, disse, a ilha tem “experiências interessantes” para compartilhar neste tema.

Após conversar sobre os procedimentos que serão seguidos para a retomada dos vínculos diplomáticos na reunião da manhã, durante a tarde as partes revisaram “as áreas de cooperação bilateral e identificaram novas esferas nas quais pode haver colaboração no futuro”.

Repassaram o estado de seus acordos de cooperação em temas como segurança aérea e de aviação e na resposta para vazamentos de hidrocarbonetos, além de ampliar a parceria no enfrentamento ao tráfico de drogas, ao terrorismo e às epidemias.

Sobre essa última questão, a delegação cubana propôs um encontro para cooperar na luta “efetiva e eficaz” contra o vírus ebola. Os cubanos também expressaram seu interesse em implementar um plano piloto para estabelecer o correio postal direto entre Cuba e EUA.

Josefina explicou que, na reunião, os Estados Unidos lhes ofereceram uma “informação geral” sobre as medidas adotadas em 16 de janeiro, que aliviam consideravelmente o bloqueio, ao flexibilizar as limitações para as viagens de americanos à ilha, para o envio de remessas e para a exportação de alguns bens, como equipamentos de telecomunicações. A representante cubana disse que seu país está “estudando essas regulações” porque “é necessária a assessoria de advogados para compreender seu alcance”.

No tema concreto das telecomunicações, confirmou que o governo cubano está disposto a receber as companhias americanas do setor para explorar possibilidades de negócios benéficos para ambas as partes.

Josefina ressaltou que as reuniões serviram para confirmar que Cuba e EUA têm de continuar trabalhando em suas áreas de interesse comum, mesmo com “profundas diferenças, que serão mantidas, pois os dois países têm convicções muito firmes”.

A delegação americana, liderada pela secretária adjunta para a América Latina, Roberta Jacobson, também reiterou sua disposição de continuar o diálogo, que se desenvolveu de modo “construtivo e encorajador”, apesar das “diferenças significativas”.

A próxima reunião para avançar no restabelecimento de suas relações diplomáticas entre EUA e Cuba ainda não tem data definida.

(Com agências EFE e France-Presse)