MUNDO
22/01/2015 10:50 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Presidente da Argentina, Cristina Kirchner diz que não acredita em suicídio do promotor Alberto Nisman

Agências de Notícias

A presidente da Argentina, Cristina Kirchner afirmou, em carta publicada em seu site e nas redes sociais, que a morte do promotor Alberto Nisman – que acusou a mandatária de encobrir terroristas – não foi, como afirmou a investigação, um suicídio.

“O suicídio (que estou convencida) não foi suicídio”.

O promotor, que acusou a presidente de orquestrar o acobertamento de uma investigação contra o Irã sobre o ataque a bomba de 1994 contra um centro judaico na Argentina, foi encontrado morto em seu apartamento, no último domingo (18).

Nisman era esperado em uma audiência a portas fechadas no parlamento na segunda para explicar suas acusações.

Na mensagem divulgada nesta quinta-feira (22), a presidente também pediu “muita proteção” a Daniel Ángel Lagomarsino. A arma de onde saiu o projétil que matou o promotor pertencia a Lagomarsino, envolvido com a investigação desde 2007.

A publicação da carta marca – mais uma – mudança no discurso do governo, que agora trata Nisman como uma “vítima” de um esquema que pretendia acusar Kirchner. “Não tenho provas, mas também não tenho dúvidas”, afirma a mandatária no texto, escrito em primeira pessoa.

O outro ponto principal da carta é o questionamento que a presidente faz sobre a validade das denúncias que seriam apresentadas pelo procurador.

Kirchner afirma que o documento elaborado por Nisman, publicado na íntegra nesta semana, não fornece nenhuma informação nova sobre a investigação do atentado, e diz acreditar que alguém forneceu informações falsas para que o promotor elaborasse o relatório.

“A acusação de Nisman não só entra em colapso, mas é um escândalo político e jurídico real”, diz a carta.

A presidente também faz novas perguntas sobre o caso:

- Por que iria se suicidar alguém que, como Nisman, explicou em uma mensagem na internet seu retorno imprevisto ao país? Em um tom quase épico, afirmou que vinha cumprir uma tarefa “para a qual havia se preparado, mas que não se imaginava tão pronto”?

- Por que iria se suicidar se não sabia que era falsa a informação que estava no relatório? Estas respostas seguramente poderão ser dadas por aqueles que o convenceram de que tinha em suas mãos “a denúncia do século”, fornecendo dados falsos ao procurador.

- Por que iria se suicidar alguém que, como promotor, gozava – assim como sua família – de uma excelente qualidade de vida?

- Por que ele iria pedir uma arma emprestada para se matar, quando ele tinha armas registradas em seu nome?

- Como foi permitido que um médico particular tivesse acesso ao local onde estava o corpo antes que os juízes e especialistas forenses entrassem no apartamento?

Dúvidas

Em reportagem publicada pelo jornal Clarín levantou novas dúvidas sobre a hipótese de que o procurador cometeu suicídio.

Segundo o chaveiro que foi chamado para arrombar o apartamento de Nisman, a porta não estava trancada, apenas a chave estava do lado de dentro da fechadura. “Em dois minutos abri a porta, demorei mais para guardar minhas ferramentas”, afirmou o homem, que disse ainda que a porta do local poderia ser aberta por qualquer pessoa.

Inicialmente, os responsáveis pela investigação afirmaram que tanto a porta da frente quanto o acesso de serviço do apartamento estavam trancados por dentro, o que impossibilitaria a entrada ou a saída de qualquer pessoa do apartamento.

Também foi descoberto um terceiro acesso ao apartamento do procurador: uma porta metálica que conecta a sala de estar com um estreito corredor onde ficam os equipamentos do ar condicionado do andar. Esse sistema seria compartilhado com um vizinho. Foi nesse local em que encontraram uma pegada e uma marca de impressão digital. Os vestígios estão sendo investigados.

“O certo é que de uma casa com dois acessos, fechada por dentro e quase inviolável, chega-se a uma casa com três acessos, sendo que pelo menos dois não eram difíceis de violar”, afirma a reportagem do Clarín.