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22/01/2015 08:54 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Greve de aeronautas e aeroviários causa problemas em aeroportos do Brasil na manhã desta quinta

Montagem/Estadão Conteúdo

Uma paralisação de aeronautas e aeroviários no início da manhã desta quinta-feira (22) causou o atraso e cancelamento de voos nos principais aeroportos do País. Nos terminais administrados pela Infraero em todo o território nacional, a média de voos domésticos atrasados saiu de 4,4%, às 6 horas, para 9,1%, às 7 horas. Entre os voos cancelados, o número passou de 1,8% para 5,1% durante o horário previsto da paralisação. Quanto aos embarques internacionais, apenas um dos 16 embarques previstos registrava atraso até às 7 da manhã.

A categoria reivindica aumento salarial de 8,5% e melhores condições de trabalho.

“A maneira como as empresas aéreas têm gerenciado as condições de trabalho de seus tripulantes ao longo dos últimos não corresponde com as melhores práticas de RH e segurança operacional, além de não atender as necessidades básicas dos aeronautas. As escalas de trabalho comprometem a segurança das operações e não há por parte das companhias aéreas investimentos significativos no sentido de corrigir este desvio”, diz nota do Sindicato Nacional dos Aeroviários (SNA).

De 14 voos previstos para o aeroporto Santos Dumont (RJ), oito tiveram atrasos ou foram cancelados. Já em Congonhas (SP), oito das 20 operações programadas foram afetadas. Outros locais com mais reflexos da paralisação, de acordo com dados da Infraero, são o terminal de Viracopos, em Campinas (SP), onde cinco dos 16 voos foram cancelados, e o aeroporto de Fortaleza, que teve oito dos 27 voos com atraso ou suspensos.

No aeroporto internacional de Guarulhos, a concessionária disse não ter informações sobre as consequências da paralisação até o momento, mas afirmou que sindicalistas tentaram impedir o acesso de funcionários ao local de trabalho logo no início da manhã.

Segundo o G1, foram ainda afetadas as operações de pousos e decolagens nos seguintes aeroportos: Afonso Pena, em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba; Juscelino Kubitschek, em Brasília; Hercílio Luz, em Florianópolis; Salgado Filho, em Porto Alegre; e Santa Genoveva, em Goiânia.

De acordo com informações do SNA, os grevistas farão assembleias às 15 horas desta quinta-feira nos aeroportos onde houve paralisação para deliberar os rumos do movimento. Até o momento, não há um balanço sobre a adesão de trabalhadores da categoria à paralisação, que conta ainda com a participação da Federação Nacional dos Trabalhadores em Aviação Civil da CUT (Fentac) e do Sindicato Nacional dos Aeroviários.

Justiça no caso

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou na quarta-feira (21), que os grevistas assegurassem a manutenção mínima de 80% dos profissionais em serviço. O descumprimento da decisão considera pena com multa diária de R$ 100 mil. Em outra liminar, o ministro determinou também aos aeroviários (pessoal de terra) a manutenção de 80% dos serviços.

Segundo o TST, na negociação salarial, os empregados das empresas aéreas pedem aumento de 8,5% nos salários e benefícios, melhores condições de trabalho e estabelecimento de um piso salarial para os agentes que fazem o check-in. Já as empresas ofereceram reajuste de 6,5% nos salários, que corresponderia a um pequeno ganho real, de 0,17%, e 8% nos vales-alimentação e refeição. A proposta foi considerada “inaceitável” pelos trabalhadores.

De acordo com o SNA, uma audiência de conciliação está marcada para esta sexta-feira (23), no TST.

(Com Estadão Conteúdo)