MULHERES
21/01/2015 12:05 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Mães estimulam o lado emocional de suas filhas mais que dos filhos (PESQUISA)

Oliver Rossi via Getty Images

Sabemos que as mulheres são socializadas para expressar suas emoções mais que os homens, mas agora ficamos sabendo que são as mães que exercem um papel especial na aplicação dessa regra de gênero, segundo uma nova pesquisa britânica.

Pesquisadores da Universidade de Surrey descobriram que quando as mães conversam com suas filhas, especialmente nos primeiros anos de vida, a conversa contém mais palavras e conteúdos emocionais que quando falam com seus filhos. As mães também usam mais linguagem emocional que os pais. Desse modo, inconscientemente dão aos filhos um exemplo que reforça os estereótipos de gênero.

No experimento, os pesquisadores convidaram 65 mães e pais espanhóis a participar de uma tarefa de contar histórias e uma conversa sobre experiências passadas com seus filhos de 4 ou 6 anos de idade. O uso de linguagem dos pais foi gravado e analisado, e os pesquisadores contaram o número de palavras ligadas a emoções usadas em cada conversa.

Eles descobriram que as mães, de modo geral, empregam mais linguagem emocional que os pais e que as mães usam mais linguagem emocional quando falam com suas filhas de 4 anos. Não foram encontradas diferenças de gênero no caso dos pais das crianças de 6 anos.

Em seguida os pesquisadores testaram o uso de linguagem emocional pelas crianças. As meninas de 4 anos e as de 6 anos foram mais expostas a palavras como “feliz”, “triste” e “preocupado”, e descobriu-se que as meninas de 6 anos empregam mais “fala emocional” que os meninos de 4 ou de 6 anos, quando conversam com seus pais.

“As meninas podem ser socializadas desde cedo numa orientação socioemocional que enfatiza a expressividade emocional, tornando-as mais socialmente maduras que os meninos”, concluem os pesquisadores.

A autora principal do estudo, Dra. Harriet Tenenbaum, concordou que estereótipos culturais relativos à emoção estão por trás dessa diferença.

“Pense na pessoa mais emotiva que você conhece”, disse Tenenbaum em e-mail ao Huffington Post. “É mais provável que você cite uma mulher, não um homem, porque isso condiz com nossos estereótipos.”

Esses estereótipos podem não fazer bem aos homens jovens. Socializar garotos sem lhes dotar da linguagem para expressar suas emoções pode ter consequências negativas para seu desenvolvimento e seu sucesso acadêmico futuro.

“Considerando que a emoção está ligada à popularidade com pares, à saúde mental e ao êxito escolar, seria melhor para meninos e meninas se os pais usassem linguagem emocional com seus filhos de ambos os sexos”, disse Tenenbaum.

Existe um lado negativo dessa norma cultural da expressividade emocional feminina. As mulheres que expressam vulnerabilidade emocional no trabalho tendem a ser vistas como fracas e pouco profissionais, e as mulheres em posições de liderança muitas vezes são fortemente criticadas quando manifestam emoção.

Embora a pesquisa tenha sido feita com pais espanhóis, Tenenbaum disse que os resultados provavelmente se aplicam a outros países também.

“Nos Estados Unidos, os pais têm três vezes mais chances de explicar assuntos científicos a meninos que a meninas”, disse Tenenbaum. “O estudo mostra que os pais socializam seus filhos diferentemente, segundo seu gênero. Embora os pais digam que não dão tratamento diferente a meninas ou meninos, argumentando, em vez disso, que meninos e meninas são diferentes por natureza, a combinação desses estudos demonstra que os pais socializam as crianças segundo papéis tradicionais de gênero (emoção, no caso das meninas, e ciência, no caso dos meninos) desde a primeira infância.”

As descobertas foram publicadas no The British Journal of Developmental Psychology.

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.

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