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21/01/2015 15:46 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Derrotado por Alckmin nas eleições, Gilberto Natalini sugere que Carnaval não aconteça em SP para economizar água

É inegável que a crise da água em São Paulo está colocada há meses e dela não há escapatória. Existe inclusive uma estimativa para o colapso total do abastecimento no Estado, salvo um ‘dilúvio’ de contornos divinos. Talvez essa interpretação da realidade tenha incentivado o vereador Gilberto Natalini (PV) a fazer uma sugestão curiosa nesta semana.

Em entrevista ao Jornal da TV Câmara de SP, Natalini propôs que o Carnaval na capital paulista fosse suspenso. Derrotado pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições do ano passado, o vereador do PV acredita que o já tradicional evento, que conta com o desfile das escolas de samba e bailes pela cidade, pode trazer muitos prejuízos.

“Vou falar uma coisa muito antipopular. Os foliões que me perdoem, mas São Paulo não está em condições de fazer Carnaval esse ano. Acho que é mais uma falta de responsabilidade do governador e do próprio prefeito (Fernando Haddad)”, afirmou o vereador. Para Natalini, a sugestão “me fará perder votos”, mas ele acha que o abastecimento vem antes.

“O povo de São Paulo está tomando as medidas não por uma conversa, (mas sim) porque está vendo a falta de água nas torneiras”, ponderou, alfinetando a falta de transparência de Alckmin em relação à crise da água estadual. Por fim, o parlamentar ainda disse que escreveria para o tucano e para Haddad com a sua sugestão.

Por ora, não há nada que indique a possibilidade da sugestão do vereador sair do papel. Os argumentos, porém, não deixam de ter a sua razão.

Fábrica do Samba só em 2016

Ficou para o carnaval de 2016 o uso dos 14 galpões em construção desde 2012 na Fábrica do Samba, na Barra Funda, zona oeste da capital paulista. O novo prazo para a entrega do complexo de 64 mil m² é início de setembro. Segundo a Prefeitura, metade das estruturas já está em fase final de acabamento, mas, por opção da Liga das Escolas de Samba, a entrega do projeto será feita de uma só vez.

Os galpões serão ocupados individualmente pelas agremiações paulistanas do Grupo Especial. Cada um tem cerca de 4,5 mil m² de área construída, divididos em três andares e equipados com cozinha, sala de reunião, vestiário, banheiros e almoxarifado, além de espaços livres para confecção das fantasias e alegorias. O andar térreo, onde os carros deverão ser montados, tem pé-direito de 18 metros de altura, equivalente a um prédio de seis andares.

De acordo com o engenheiro Ricardo Rezende, da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras, o complexo, quando estiver pronto, ainda será formado por uma área verde de 31 mil m², estacionamento externo, lanchonete e prédio administrativo. Uma central de resíduos sólidos, para reciclagem dos materiais a serem descartados pelas escolas, e um minipiscinão, para retenção da água da chuva, completam o projeto.

“Passarelas panorâmicas, com vista dos galpões, ainda permitirão visitas monitoradas para acompanhamento do trabalho das escolas. Isso vai depender da Liga, mas os espaços poderão ser abertos ao público”, explica Rezende. Toda a gestão do complexo, assim como a sua manutenção, deverão ser assumidas pelas escolas do Grupo Especial.

(Com Estadão Conteúdo)

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