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19/01/2015 18:59 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Em resposta ao terror, Neil Gaiman e Chris Riddell criam poesia ilustrada

O atentado à revista satírica Charlie Hebdo, em Paris, trouxe à tona discussões sobre a liberdade de expressão e um certo medo &mdash. resposta imediata ao terror que se apresenta. Alguns nomes da literatura se posicionaram de formas diversas: enquanto Michel Houellebecq deu um tempo na promoção de seu recente "Soumission", romance que trata de uma França liderada por muçulmanos, Salman Rushdie, escritor jurdado à morte pelo aiatolá Khomeini e por "muçulmanos zelosos", afirmou que "as religiões, assim como todas as outras ideias, merecem crítica, sátira e, sim, nosso destemido desrespeito."

A mais recente resposta ao medo veio de Neil Gaiman. Em parceria com o premiado artista Chris Riddell (com quem trabalhou na versão infantil do romance "The Graveyard Book"), Gaiman publicou uma espécie de poema ilustrado sobre como ideias podem causar medo nas pessoas. "Credo" foi publicado no Tumblr de Riddell.

O texto (em tradução livre) diz:

"Credo"

Eu acredito

que reprimir ideias propaga ideias

Eu acredito

que pessoas e livros e jornais são

repositórios de ideias, mas

que

queimar pessoas será

tão vão quanto jogar bombas incendiárias em arquivos de jornais.

Já é tarde demais.

Será sempre tarde demais.

As ideias já foram divulgadas, se escondem por detrás dos olhos das

pessoas, deitam-se no pensamento.

Elas podem ser sussurradas.

Elas podem ser escritas em muros

na calada da noite.

Elas podem ser desenhadas.

Eu acredito que,

na guerra entre

armas e ideias,

no fim, as ideias

vencerão.

Porque as ideias são invisíveis

e elas persistem,

e,

às vezes,

são verdadeiras.

Eppur si muove ["Mas ela se move", frase cunhada por Galileo Galilei ao renegar, forçadamente, a visão heliocêntrica do mundo perante o tribunal da Inquisição]

Mas ela se move.