COMPORTAMENTO
18/01/2015 20:26 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Documentarista mostra assédio pesado que mulheres têm de enfrentar no Cairo (VÍDEO)

Cansada de ser assediada diariamente, a egípcia Colette Ghunim decidiu realizar seu próprio registro do que as mulheres sofrem nas ruas do Cairo.

O vídeo segue o mesmo formato de outro registro feito em Nova York, intitulado "10 Hours of Walking in NYC as a Woman". Enquanto a versão novaiorquina condensa cerca de dez horas de caminhada, no Cairo, aparentemente, basta atravessar uma ponte para ser assediada quase ininterruptamente.

De acordo com um estudo realizado pela ONU em 2013, 99,3% das mulheres egípcias declararam ter sofrido assédio - mais da metade, diariamente. A situação é tão grave que cerca de 4 em cada 10 mulheres afirmam evitar sair de casa por causa das reações masculinas.

"Queremos relamente apontar que, mesmo o assédio sexual sendo um problema de proporções epidêmicas no Egito... Isso não quer dizer que todos os egípcios sejam assediadores ou que isso seja algo característico de todo árabe ou muçulmano", disse o co-diretor do vídeo, Tinne Van Loon, ao Huffington Post. "É um problema da sociedade patriarcal, que infelizmente é internacional."

Com o auxílio de financiamento coletivo, os diretores de "Creepers on the bridge" agora preparam um documentário sobre a situação da mulher no Egito, que deve ser lançado em fevereiro.

Faz pouco mais de um semestre que o assédio sexual se tornou crime no Egito, como relata o jornal Guardian. Trata-se de um primeiro passo para mudar essa situação. Infelizmente a lei significa pouco quando o assédio é uma cultura assumida como natural.

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