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17/01/2015 12:13 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Por que Muhammad Ali é um dos maiores do século

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O lendário boxeador Muhammad Ali completa 73 anos neste sábado, 17. Comemoração dupla: além do aniversário, Ali acaba de receber alta do hospital. Foi sua segunda internação em um mês. Ele havia passado quatro semanas internado por suspeita de pneumonia - depois, foi diagnosticada uma grave infecção urinária.

Agora está estável. Felizmente, saiu do hospital a tempo de passar o aniversário com a família. "Ele está em casa descansando", disse Bob Gunnell, seu porta-voz.

Ali se aposentou em 1981. Em 1984, foi diagnosticado com doença de Parkinson. Passou os últimos anos envolvido em projetos sociais e missões humanitárias. Hoje faz pouca aparições públicas.

O boxeador é uma das maiores lendas do boxe e símbolo na luta por direitos civis nos EUA. Saiba por que ele é uma das figuras mais emblemáticas do século 20:

  • Ele foi campeão mundial de peso-pesado com apenas 22 anos
    Conhecido por sua ferocidade, o ex-presidiário Sonny Liston havia se tornado campeão em 1962. Cassius Clay, 22 anos, não se intimidou e lhe tomou o título mundial em 1964. Foram sete rounds e Clay venceu por nocaute técnico.
  • Ele era muito bom e sabia disso.
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    Modéstia não era o forte do campeão - mas quem precisa de modéstia quando se é Muhammad Ali? Antes da luta com Liston, ele gritou: "alguém vai morrer no ringue esta noite!"
  • Ele lutou pela liberdade religiosa
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    Em 1965, Cassius Clay seguiu os passos de Malcolm X e se converteu ao islamismo. Seu nome mudou para Muhammad Ali. E ai de quem não lhe chamasse pelo novo nome - ele comprou briga com quem o chamava de Cassius Clay - dizia que era seu "nome de escravo". Ele não queria discussão sobre sua religião - queria respeito.
  • Ele falou isso
    fugitivesavant/Flickr/Creative Commons
    “Eu sou a América. Sou a parte que você não admite, mas acostume-se comigo. Negro, confiante, arrogante – é o meu nome e não o seu. É a minha religião e não a sua. São as minhas conquistas e não as suas. Acostumem-se comigo”, declarou Ali após (mais) uma vitória sobre um adversário que disse que faria uma 'luta pelo cristianismo'.
  • Ele foi importantíssimo para o movimento negro
    Bob Gomel/reprodução
    Na época, não era muito comum que os atletas tomassem posições políticas - mas o campeão de boxe foi exceção. Ele lutava pelos direitos civis dos negros e acompanhava de perto os líderes do movimento. Era amigo de Malcolm X.
  • Ele foi uma das principais vozes de oposição à Guerra do Vietnã
    Em 1967, Ali se recusou a lutar na Guerra do Vietnã. Ao ser convocado, ele declarou: "Por que me pedem para vestir uma farda, viajar 10 mil quilômetros e matar vietcongues, se eles não fizeram nada de mal para mim?"
  • A recusa custou caro para sua carreira
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    Ali foi condenado a cinco anos de prisão e teve seu passaporte confiscado. Também perdeu sua licença para lutar e seu título mundial. Ali ficou proibido de lutar em uma idade chave para sua carreira: entre os 25 e os 28 anos.
  • Essa foto
    reprodução
    Que foi capa da Esquire em 1968, período em que Ali estava proibido de lutar.
  • Mesmo assim, ele voltou com tudo
    Sua primeira luta pós confisco foi em 1970. Em 1971, venceu Joe Frazier, que havia declarado que "teria ido ao Vietnã lutar se não fosse pai" e trocava farpas com ele (Ali dizia que Frazier era um 'boneco' do 'sistema branco'). Aos 32 anos, mais lento, reconquistou o título mundial em uma luta sobre George Foreman. A disputa também teve um viés político: Ali era engajado, Foreman, até então, representava o 'negro alienado'.
  • Ele foi eleito o esportista do século
    Pablo Raw/Flickr/Creative Commons
    Por ter sido tricampeão mundial e por sua trajetória esportiva e política, a revista Sports Illustrated o elegeu em 1999 o esportista do século.