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17/01/2015 14:08 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Indonésia: condenados à morte 'já estão conformados', diz jornal local

Reuters

Os cinco condenados que estão no corredor da morte à espera do fuzilamento já "aceitaram o destino", segundo um jornal local. Entre eles está o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira, condenado à morte por tráfico de drogas em 2004.

Segundo o jornal, os condenados expressaram o sentimento para Hasan Makarim, responsável pelo aconselhamento religioso antes da execução. "Todos estão prontos e nenhum deles protestou contra. Eles afirmaram que aceitaram a nossa decisão legal", disse Marakim. Segundo o jornal, o religioso ficou com os condenados nos últimos dois dias para os ajudar a se preparar "mentalmente" para suas mortes.

O jornal também destacou os protestos internacionais contra as execuções. Federica Mogherini, vice-presidente da União Européia, disse que a pena de morte para crimes relacionados à drogas é "profundamente lamentável". O comitê de direitos humanos da ONU também pediu para que o presidente da Indonésia, Joko Widodo, revesse sua decisão. Widodo se menteve irredutível.

Ainda segundo o jornal local, o procurador-geral da Indonésia explicou que os condenados enfrentarão os pelotões de fuzilamento separadamente. As execuções acontecerão simultaneamente. O governo disse que os últimos desejos dos condenados são 'simples'. Um holandês e um vietnamita pediram para que seus corpos fossem cremados, e uma mulher indonésia pediu para ser enterrada ao lado de sua mãe.

Um malaio, um nigeriano e o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira "não decidiram seus últimos desejos".

Segundo seus advogados, Moreira não conseguia aceitar e não parava de chorar. A família fez sua última visita neste sábado, 17.

Os condenados serão levados ao local da execução de olhos vendados. Então, lhes perguntarão se eles preferem ficar em pé, sentados ou deitados. Vinte policiais se posicionarão 10 metros em frente e atirarão exatamente ao mesmo tempo. Um médico estará de prontidão e se aproximará para se certificar sobre a morte.

Só neste ano, a Indonésia deve fuzilar 20 pessoas. Lá a população apoia a pena de morte.

O governo indonésio afirma que a política de tolerância zero com o tráfico de drogas é uma "mensagem clara para os membros dos cartéis do narcotráfico; não há clemência para os traficantes".

Para a Anistia Internacional, “a pena de morte é um atentado contra a vida que desumaniza a justiça e brutaliza o Estado". "É inaceitável em qualquer circunstância e mais chocante quando aplicada a alguém que não cometeu crime violento”, declarou Átila Roque, diretor-executivo da entidade.

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