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16/01/2015 18:46 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

O drama diplomático de Marco Archer Cardoso Moreira, primeiro brasileiro que deve ser executado no exterior por pena de morte

Montagem / Reuters / AP Photo

Há exatos 3.454 dias, o brasileiro Marco Archer Cardoso Moreira tentava entrar na Indonésia, com 13,7 kg de cocaína escondidos no tubo de uma asa delta.

Mesmo diante dos esforços da diplomacia brasileira e do Palácio do Planalto, Moreira deve ser morto às 15 horas deste sábado (17) - 0h do domingo (18), no horário local - por um pelotão de fuzilamento. Será o primeiro caso de um brasileiro executado no exterior.

Nesta sexta-feira (16), a presidente brasileira, Dilma Rousseff, fez um apelo pessoal ao mandatário da Indonésia, Joko Widodo. Conhecido por sua política "linha dura" em relação ao tráfico de drogas, o presidente afirmou que iria manter a sentença, pois, de acordo com ele, todos os trâmites jurídicos foram seguidos conforme a lei indonésia.

Como a pena de morte não faz parte da realidade dos brasileiros, a presidente disse que a execução de Moreira vai comover o País e "terá repercussão negativa para a relação bilateral".

O governo indonésio afirma que a política de tolerância zero com o tráfico de drogas é uma "mensagem clara para os membros dos cartéis do narcotráfico; não há clemência para os traficantes".

A medida conta com o amplo apoio da população indonésia, cuja maioria é favorável à pena de morte. De acordo com Widodo, o tráfico prejudica as gerações futuras.

Além de Moreira, o paranaense Rodrigo Goularte também foi condenado a morte. Em 2005, ele tentou entrar no país com 6 kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe.

Segundo Widodo, foi garantido o devido processo legal aos dois brasileiros.

O Brasil Post reuniu informações sobre o drama diplomático e humano envolvendo a iminente execução de Moreira:

6 cartas

pedindo clemência e comutação da pena foram enviadas pelo governo brasileiro, pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela presidente Dilma Rousseff. A última foi enviada em dezembro.

27 pessoas

incluindo Moreira foram sentenciadas à morte por causa de tráfico de drogas na Indonésia desde janeiro de 2000. Entre esses 27 condenados, 22 são estrangeiros e cinco indonésios.

Até 15 anos

em regime fechado seria a pena máxima de Moreira, caso ele tivesse sido condenado no Brasil. No entanto, provavelmente ele já estaria no semi-aberto, caso tivesse sido condenado pelas leis brasileiras, que permitem a progressão de regime em caso de bom comportamento do detento.

Uma tia

parece ser o laço familiar mais forte de Moreira. Ele é solteiro, não tem filhos e seus pais já morreram. Sua tia viajou à Indonésia na semana passada. Ela leva presentes, cartas, lembranças de amigos e um bacalhau comprado na escala em Lisboa. O peixe foi pedido do sobrinho.

12 homens

vão compor o pelotão de fuzilamento que vai matar Moreira. Apenas três fuzis utilizados pelo pelotão estarão carregados com balas de verdade. Cada soldado vai atirar no peito do condenado uma vez e, caso ele não morra, ele recebe um tiro na cabeça. Moreira e os outros cinco condenados à morte serão executados simultaneamente.

US$ 10 mil

foi quanto ele teria recebido para transportar 13,4 kg de cocaína do Peru para a Indonésia.

Duas semanas

foi o tempo que Moreira ficou foragido das autoridades indonésias, após conseguir fugir do aeroporto onde foi flagrado com a droga. Ele foi preso na ilha de Sumbawa.