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16/01/2015 20:12 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

Movimentos nas redes sociais protestam contra preços abusivos em quiosques e restaurantes na praia neste verão

Thinkstock

Que atire a primeira pedra quem nunca reclamou do preço da cervejinha ou porção no quiosque da praia, de um prato num restaurante ou de um drink na balada.

A revolta com os preços praticados em muitos estabelecimentos, principalmente no verão, ganhou força e voz nas redes sociais. Consumidores de diversas cidades litorâneas se reuniram nas mídias para protestar contra os elevados valores.

Esse é o caso do santista Antonio Luiz Nilo, criador do movimento "Vai Tomar no Cooler", um protesto pacífico contra valores abusivos de bares, quiosques e restaurantes no litoral paulista.

Desde sua criação, em fevereiro do ano passado, o movimento já bombou nas redes sociais. Em menos de 24 horas no ar, a página do Facebook teve mais de duas mil curtidas. Hoje, o movimento reúne quase cinco mil usuários.

"Tive a ideia depois de descobrir o 'Isoporzinho', um movimento contra os preços abusivos nas praias do Rio de Janeiro. Vi no Facebook algumas postagens do evento e, no mesmo dia, criei o Vai Tomar no Cooler", diz.

O VTC já teve dois encontros, o primeiro no início de fevereiro de 2014 e o segundo no dia 21 do mesmo mês. O próximo protesto está marcado para o dia 30 de janeiro, em Santos. "Nosso objetivo é reunir mais de 100 pessoas, como nas duas primeiras edições", conta Nilo.

"O VTC, na verdade, nunca teve como objetivo baixar os preços do comércio, seria pretensioso demais. Mas, a ideia era funcionar como mais uma voz poderosa na tentativa de pelo menos pressionar o mercado", ressalta Antonio. "Uma manifestação pública, que atingiria o consumidor e colocaria em evidência, através da mídia espontânea, um problema para ser discutido."

A página do Facebook também recebe denúncia de usuários que se sintam lesados. "Nossa página virou um grande fórum. Ali, além das matérias publicadas sobre o assunto, muita gente expõe sua opinião e protesta contra os estabelecimentos que cobram caro. Assim como elogiam os que cobram preços honestos. Esse é o espírito do VTC", explica.

"Rio Surreal"

O VTC não é a única página no Facebook que mostra indignação com os preços praticados no comércio. A ação Somos um Rio Surreal, criada em janeiro do ano passado, denuncia preços abusivos da cidade do Rio de Janeiro.

O Rio Surreal não é um protesto, mas uma ação colaborativa, na qual usuários denunciam altos preços encontrados em pontos da cidade, alertando outros consumidores.

Hoje, a página reúne mais de 33 mil usuários. Lá, consumidores relatam, por exemplo, estabelecimentos que cobram R$ 43 por uma salada, R$ 11,80 um suco e R$ 6 por uma cerveja.

Seus direitos

No Brasil, não há órgão que regule os preços cobrados por restaurantes, bares e quiosques, o que dificulta a fiscalização e penalização de estabelecimentos por preços abusivos. O Código de Defesa do Consumidor garante apenas que o comércio mostre todos os preços ao consumidor.

"Os comerciantes aproveitam do momento de descanso dos clientes para cobrar valores altos de seus serviços e produtos, inclusive na alta temporada. Mas cabe ao consumidor não aceitar isso", diz Maria Inês, coordenadora da Proteste - Associação de Consumidores. "Não consuma no local, traga de casa."

"Se todos fossem com coolers na praia, consumindo cerveja a preços de supermercado, com certeza o comércio de barracas e quiosques não cometeria abusos. É a lei do mercado", resume Antonio, autor do VTC.