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16/01/2015 22:28 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:45 -02

11 coisas que você não sabe sobre o filme 'Clube da Luta'

Fight Club

Se você é um super fã que não fala sobre o "Clube da Luta" você pode, pelo menos, ler a respeito.

Você provavelmente já sabe que há um copo do Starbucks em quase todas as cenas; que Tyler Durden fez uma paródia do aviso do FBI; que o autor Chuck Palahniuk prefere o filme ao seu próprio livro. Mas nós fomos buscar mais fundo em entrevistas e perfis esquecidos, puxando palavras direto do elenco e da equipe de roteiristas até encontrar estes fatos curiosos que você realmente não deve conhecer sobre o filme "Clube da Luta".

1. O Narrador foi filmado como se ele estivesse se transformando em Gollum enquanto o filme avançava e o poder de Tyler Durden aparecia

Em entrevista ao The Yale Herald em 1999, Edward Norton explicou as duas diferentes transformações de Tyler Durden e seu personagem Narrador:

Juntos, nós decidimos que eu ficaria muito magro. É quase uma metáfora do drogado. O narrador é um cara pouco confiável tanto que ele diz "você foi esculpido em madeira e se sente poderoso" e, no entanto, seu corpo está se desintegrando, todo machucado e em pedaços. No entanto, Brad tomou a decisão de seguir o caminho oposto pois Tyler é a forma como meu personagem enxerga a si mesmo. Brad foi ficando maior ao longo do filme, mais forte e enorme, bronzeado e bonitão ao mesmo tempo em que eu me tornava Gollum.

De acordo com Norton, o Narrador também foi baseado em Holden Caulfield. Conforme Norton disse à revista Interview em 1999: "Nós tentamos criar uma narrativa interna quase fúnebre de Holden Caulfield no filme, já que o meu personagem fala sobre sua vida de viagens e quartos de hotel com antissépticos bucais e escovas de dente e porções individuais e um mini-monte-de-coisas."

2. Tanto homens quanto mulheres imploraram ao autor Chuck Palahniuk para que ele lhes mostrasse onde poderiam encontrar clubes de luta de verdade para ficarem sócios

Chuck Palahniuk disse à revista Premiere, em 1999, que as pessoas vinham até ele, em sessões de autógrafo, e imploravam para que ele informasse sobre lugares reais de clubes de luta. Palahniuk comentou: "Você ficaria bem surpreso com o número de mulheres interessadas."

De acordo com as anotações da entrevista, embora Palahniuk tenha ouvido rumores de clubes de luta reais em lugares como Nova Jersey e Londres, o autor não daria a esses aspirantes qualquer informação útil. Palahniuk explicou: "Eu dizia: 'Não, é de faz de conta, é falso'. Isso partia o coração das pessoas."

3. A cena de sexo foi modelada como se o Monte Rushmore transasse com a Estátua da Liberdade. Foi feita em computação gráfica com muitos dias de gravação de sons de orgasmo da Helena Bonham Carter

O supervisor de efeitos visuais Kevin Haug fez um comentário especial sobre a sequência de sexo do filme, onde falou sobre como a computação gráfica foi usada para criar a ação. Haug lembrou da explicação do diretor David Fincher sobre uma posição: "Eu acho que David disse que era como se uma das estátuas do Monte Rushmore estivesse transando com a Estátua da Liberdade." Neste comentário, Haug também lembrou da abordagem pretendida de Brad Pitt para pesquisar a performance de sua atuação na cena:

Lembro-me do Brad em certo momento dizendo que assistiria um monte de pornografia para que pudesse pegar ideias de posições dali. Mas basicamente a pornografia era chata em termos de mostrar posições diferentes. Eram sempre as mesmas. Assim, nós acabamos usando posições do "Kama Sutra".

A outra atriz na cena do sexo, Helena Bonham Carter, disse que as filmagens de todas as posições realmente não eram tão sexy quanto o que aparecia nas câmeras. Os seios de Marla do filme são mesmo só computação gráfica. Sua entrevista original de 1999 para o The Mirror parece que foi perdida, mas na época o website Salon incluiu uma citação de Carter da entrevista, onde ela disse: "Brad tinha bolinhas brancas por todo o corpo... e ao contar 'três' deveríamos ter 'ah, o orgasmo'". De acordo com um artigo da ESPN de 2003, Carter é citada no comentário do DVD dizendo:

Passei muitos dias indo até lá fazer o voice-over com sons de orgasmo para o filme. A primeira vez foi um pouco embaraçosa, mas depois eu até acostumei. E David [Fincher] dizia: "Rolo. Edward: Ação. Helena: Orgasmo." Isso pode deixar você muito tonto porque você tende a hiperventilar. Mas eu acho que já peguei a técnica. Essa foi uma das coisas mais importantes que eu aprendi com o filme: fingir orgasmos repetidamente.

4. O abdome de Brad Pitt estava tão forte na época que Edward Norton quebrou seu polegar

Na entrevista para a revista Premiere, Edward Norton e Brad Pitt brincaram sobre os vários combates que tiveram que fazer para a tela e como alguns movimentos não poderiam ser de mentira. Norton se lembrou de um movimento em particular: "Eu quebrei meu polegar com o Brad uma vez, em seu abdome."

A autora do artigo da Premiere, Johanna Schneller, escreveu no complemento: "(Isso é bom demais para ser verdade. Você já viu o abdome do Pitt?)"

Indo mais fundo neste debate sobre a luta, Norton lembrou: "Nós dois apanhamos de joelhos no peito, quebramos costelas e só tinha o vento batendo". A isso, Pitt respondeu: "Isso só mostra como éramos legais."

5. Edward Norton e Brad Pitt aprenderam a fazer sabão com uma pessoa chamada Auntie Godmother (“Tia Madrinha”)

Auntie Godmother's é uma empresa especializada na fabricação de sabão da Califórnia e foi fundada em 1995. Sua fundadora Cheryle-Anne Townsend, que atende pelo nome de Auntie Godmother, ensinou tanto Edward Norton quanto Brad Pitt a fazerem sabão para seus papéis no filme.

Em um post do Facebook, sobre uma feirinha de rua em 2010, Townsend comentou sobre seu negócio: "Nós somos fabricantes de sabão profissionais e fizemos todos os sabonetes para o filme 'Clube da Luta'. Eles, na verdade, descobriram a gente na feirinha de rua!"

6. Tyler Durden e Marla são, na verdade, personagens baseados em pessoas reais. Chuck Palahniuk se inspirou em seis amigos dele ao escrever a história

Johanna Schneller escreveu no artigo da Premiere sobre o Tyler do mundo real: "'Tyler' é um carpinteiro com propensão a invadir propriedades; ele liderava incursões a prédios condenados para salvar mármores e outros acessórios."

Palahniuk foi citado dizendo que seu amigo Tyler é "uma dessas pessoas neorromânticas que pensam que se o bug Y2K acontecesse, todos nós iríamos ser melhores."

A amiga que inspirou a personagem Marla aparentemente tinha um desejo bem antes de que Palahniuk fosse um aclamado autor: que se ele um dia ficasse famoso, ele a levaria para conhecer Brad Pitt. Anos mais tarde, Brad Pitt foi escalado para o filme e Palahniuk pôde levar todos os seis amigos que inspiraram os personagens para o set de filmagem. Ele lembrou: "Então, eu pude dizer: 'Tyler, este é o Tyler'; 'Marla, esta é a Marla', e todos estavam realmente fascinados uns pelos outros."

Em uma entrevista de 2014 para a TOR, Palahniuk descreveu em detalhes como seus amigos Tyler e Marla são na vida real, enquanto explicava como seriam os "novos looks" dos personagens nas sequências do filme. Tyler aparentemente teria "cabelos loiros, na altura dos ombros, como Jesus" e Marla não seria "muito parecida com a personagem que Helena Bonham Carter interpretou."

7. David Fincher disse que a iluminação do filme foi baseada na parte de dentro de um 7-Eleven no meio da noite

David Fincher deu uma descrição detalhada ao Film Comment, em 1999, sobre as inspirações que teve ao criar o visual do "Clube da Luta". A maioria delas envolvia fazer com que as coisas parecessem mais sujas. Uma loja de conveniência popular foi especificamente descrita pelo diretor:

Nós não queríamos ter medo da cor; nós queríamos controlar a paleta de cores. Você entra no 7-Eleven no meio da noite e tudo está com aquele verde fluorescente. parecido com o que a luz verde faz em pacotes de celofane. Nós queríamos fazer com que as pessoas ficassem meio brilhantes.

8. Há uma boa chance de que os suspiros de Leonardo DiCaprio morrendo no "Titanic" tenham sido reutilizados na cena da caverna de gelo

De acordo com um artigo em 2000 do Cinefex, o Blue Sky Studios fez a computação gráfica do filme e já que estavam associados anteriormente a uma empresa chamada VIFX, que trabalhava para o filme "Titanic", eles tinham à disposição uma "biblioteca de elementos de respiração genéricos criados para o filme". Não temos certeza se a respiração de Leonardo DiCaprio é exatamente a mesma que foi usada na cena da caverna de gelo.

Dito isto, este artigo do Cinefex disse explicitamente que "elementos existentes na respiração" do "Titanic" foram, no entanto, utilizados no "Clube da Luta", e o artista digital John Siczewicz foi citado dizendo:

Depois de começar com os elementos existentes de respiração [do "Titanic"], nós recortamos, colamos e dissolvemos até termos algumas respirações animadas que funcionavam como ação do vento dentro do túnel de gelo. Já que nem a câmera nem o ator estava presente em todas essas tomadas, eu tive que acompanhar o ponto de origem de cada respiração. Uma vez que essas respirações em forma de vórtice misturavam-se, toda a cena caía em temperatura abaixo de zero.

9. Edward Norton e David Fincher acham o "Clube da Luta" uma versão inversa do filme "A Primeira Noite de um Homem"

Em uma entrevista de 1999 ao Film Comment, David Fincher explicou como seu filme refere-se à busca de Mrs. Robinson:

A primeira noite de um homem" é um bom paralelo. Ele falava daquele momento em que você tem um mundo de possibilidades, todas as expectativas sobre elas, e você não sabe quem é ou o que deveria ser. E você escolhe um único caminho, Mrs. Robinson, e isso acaba por ser desolador, mas faz parte de sua iniciação, a sua prova de fogo. E assim, ao escolher o caminho errado, você encontra o seu caminho para o caminho certo, mas foi você que criou essa bagunça. O "Clube da Luta" é o lado inverso dos anos 90: um cara que não tem um mundo de possibilidades à sua frente; ele não tinha possibilidades. Ele literalmente não tinha como imaginar uma forma de mudar sua vida.

Edward Norton também menciona a relação do "Clube da Luta" e "A Primeira Noite de um Homem" no comentário do DVD dizendo: "É uma história de deslocação juvenil e do sentimento de entrar no mundo adulto sentindo-se fora de sintonia com o sistema de valores que as pessoas esperam que você se envolva e tentar descobrir a resposta à pergunta de como ser feliz."

10. E junto a isso, os dois viam o "Clube da Luta" como um filme budista

No artigo do Premiere, de 1999, Norton fala sobre como ele achava que a trajetória de seu personagem estava fundamentada no Budismo:

No Budismo há o Nirvana, e então há Samsara, o mundo de confusão e desarmonia. Esse mundo é o nosso campo de testes, onde temos as experiências que nos ajudam a nos tornar iluminados. Não estou dizendo que o "Clube de Luta" é "O Livro da Vida e da Morte", mas era mais ou menos essa a ideia: você está se desafiando a se desapegar do mundo.

Além disso, na entrevista do Film Comment, David Fincher falava sobre como a jornada do Narrador no filme é budista (embora ele não saiba de qual escola de pensamento budista a filosofia provém):

Eu não sei se é budismo, mas há a ideia de que no caminho para a iluminação você tem que matar os seus pais, seu deus, e seu professor... O filme introduz [o personagem de Norton] no momento em que ele matou seus pais e ele percebe que eles estavam errados. Mas ele ainda está encurralado, preso neste mundo que ele criou para si mesmo. E então ele conhece Tyler Durden, e eles voam na face de Deus — e eles fazem todas estas coisas que não deveriam fazer, todas as coisas que você faz aos vinte anos, quando você não está sendo mais sendo vigiado pelos seus pais, e que acabam sendo, em retrospectiva, bem perigosas. E finalmente ele tem que matar seu professor, Tyler Durden. O filme é realmente sobre esse processo de amadurecimento.

A ideia de matar "mentores" é da escola Linji de Budismo Chan, de Linji Yixuan.

11. Durante entrevista à imprensa, Brad Pitt e Edward Norton tentaram não falar sobre o "Clube da Luta"

Johanna Schneller escreveu no artigo da Premiere que retrata o filme, que ao falar com Pitt e Norton, os dois tentaram evitar falar do "Clube da Luta". Ela explicou: "Eles resistiam. Eventualmente, eles me diziam que, sim, eles estavam aqui para falar sobre o 'Clube da Luta', mas eles realmente não queriam falar sobre isso."

Adicionalmente, Schneller escreveu: "(Ah, eu entendi — no espírito subversivo do 'Clube da Luta', eles decidiram desconstruir a entrevista para a revista)."

Eventualmente, depois de idas e vindas dela com os dois atores sobre se eles deveriam falar do "Clube da Luta", Pitt desafia Schneller, dizendo: "Diga-nos você do que se trata [o 'Clube da Luta']."

BÔNUS: Pode ser difícil dizer que o "Clube da Luta" trata de qualquer coisa específica, mas, como brincadeira, Norton e Pitt teriam dado esta descrição bem simples sobre o filme:

A história de dois amigos que iniciam um clube amador de boxe para jovens desfavorecidos e a mulher que aparece entre eles.

Em seu texto para a Premiere, Johanna Schneller escreveu que a primeira vez que Norton sorriu completamente durante a entrevista foi quando ele começou a narrar a simplificação ridícula que ele e Pitt usavam para descrever o "Clube da Luta". O ator se sentou em sua cadeira e usou uma "voz impostada e melosa". Norton começou dizendo: "Por um tempo, descrevíamos como uma história de dois amigos que iniciam um clube amador de boxe para jovens desfavorecidos..."

Neste momento, Brad Pitt entrou na conversa e terminou a descrição de Norton dizendo: "...e a mulher que aparece entre eles." Pitt continuou: "Que é a melhor explicação que eu já ouvi sobre o filme."

Este artigo foi originalmente publicado pelo HuffPost US e traduzido do inglês.