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15/01/2015 14:25 -02 | Atualizado 26/01/2017 21:43 -02

‘Charlie Hexpo: exposição que homenageia mortos no Charlie Hebdo’ terá brasileiro entre os artistas convidados

Montagem/Reprodução/Facebook

Um brasileiro, o artista plástico Rudi Sgarbi, está entre os 40 artistas convidados a participar de uma homenagem aos mortos do jornal satírico Charlie Hebdo em Paris. A exposição, chamada Charlie Hexpo, acontece até o 21 de janeiro, e terá a renda revertida às famílias de vítimas dos 17 mortos dos atentados realizados na capital francesa e na cidade de Montrouge.

O vernissage (pré estreia) da mostra está marcado para esta quinta (15), na galeria 28 bis, em Paris, com o apoio do coletivo Artlabz. Diante do pouco tempo para organizar a mostra, a internet e as redes sociais têm sido um meio importante na divulgação do evento.

Em uma página de Facebook, Charlie Hexpo foi criada para explicar o intuito da exposição e ao mesmo tempo atrair o público. "Os artistas defendem a liberdade de expressão e lutam contra o ódio, organizando uma exposição de apoio às famílias de vítimas do massacre de Charlie Hebdo", afirmam os curadores.

O brasileiro Sgarbi foi convidado a participar durante uma exposição própria que realizou em Paris. "O trabalho dele trata de dois temas: o conflito e o deslocamento. Como seu trabalho acontece nesses termos, ele foi convidado para a participação", explica sua curadora, a franco-brasileira Nina Sales, fundadora e comissária da ArtMaZone, uma organização que estabelece o contato entre artistas brasileiros com galerias e exposições na Europa.

Sua obra escolhida questiona ‘'pourquoi?’'(por quê?) e faz referência à execução do policial Ahmed Merabet, morto a tiros por um dos irmãos Kouachi, autores do atentado, em frente à câmera de um cinegrafista amador.

Ainda na França, um dos mais importantes festivais de quadrinhos, o Angoulême, terá início no dia 29 e criou um prêmio em homenagem ao atentado, chamado Charlie da Liberdade de Expressão, cuja proposta é premiar artistas que tenham sido impedidos de exercer a profissão.

No Brasil

O choque provocado pelo assassinato dos cartunistas Georges Wolinski, Charb, Cabu, Tignous e Honoré, e das outras vítimas da investida de radicais islâmicos contra a revista de humor Charlie Hebdo, levou muitos brasileiros a repetir o slogan "Je Suis Charlie". Mas o trabalho desses desenhistas é desconhecido por aqui.

Impactado pela brutalidade da invasão à redação da revista, o presidente da Biblioteca Nacional, Renato Lessa, montou rapidamente uma singela homenagem a Wolinski, expoente do cartum francês e um dos grandes nomes mundiais do gênero.

"Rir é uma virtude cognitiva: o humor surpreende, desloca significados cristalizados, alarga a sensibilidade. É, portanto, inimigo mortal do dogmatismo, do fanatismo e dos portadores de certezas inegociáveis", diz o texto de Lessa que introduz a mostra.

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